Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Quadradinhos - Revista de Banda Desenhada! - Suplemento do Jornal "A Capital"

Rui Luís Lima, 29.07.25

quadradinhos.jpg

Quadradinhos - Revista de Banda Desenhada!
Suplemento do Jornal "A Capital"
Preço: 1$00 (jornal)
Ano: 1968

A Revista "Quadradinhos" de Banda Desenhada era um suplemento temático dedicado à banda desenhada que era publicado à segunda-feira no jornal "A Capital", em finais da década de sessenta do século passado. Todas as segundas-feiras ela ali estava com o jornal para os mais pequenos cortarem e montarem como revista de quadradinhos e a selecção era de primeira água e havia até quem usasse agrafes na lombada criada, mas tinha que se ter cuidado para não danificar o jornal "Quadradinhos".

Recorde-se que nesses anos o jornal "A Capital" que saía para as bancas ao início da tarde tinha surgido nessa época com um imenso fulgor rivalizando com o "Diário Popular, "Diário de Lisboa" e República" e tinha a caracteristica de todos os dias da semana oferecer um suplemento temático, que oferecia na última página uma banda desenhada com um dos famosos heróis da banda desenhada: Mandrake e Fantasma entre outros.

Curiosamente já encontrei a colecção do suplemento "quadradinhos" à venda num site na net.

Belas memórias! 

Rui Luís Lima

Revista Visão -  A Banda Desenhada feita por portugueses!

Rui Luís Lima, 26.07.25

visão.jpg

Revista Visão -  A Banda Desenhada feita por portugueses!

Director: Victor Mesquita

Foram publicados 12 números.

A revista Visão foi um caso único na divulgação da banda desenhada feita por portugueses  e surgiu nas bancas a  1 de Abril de 1975, o seu preço era de 20$00 (vinte escudos) e embora fosse um pouco elevado para o habitual preço das revistas de banda desenhada, depois de termos a "Visão" nas mãos ficávamos fascinados pela qualidade da impressão, tanto a cores como a preto e branco,  com um grafismo único e de enorme qualidade e depois tinhamos as dimensões da revista que eram de 230 mm x 320 mm.

O grande animador da revista Visão de banda desenhada foi Victor Mesquita seu director, que nos ofereceu as aventuras de "Eternus 9" a visitar a ficção-científica, entre outras histórias de que foi autor. As aventuras repletas de humor de "Gemadinha - O Herói Pedras Baixas" de José Maria André e Victor Mesquita era repleta de humor. Embora tenham saído apenas 12 números,  a revista "Visão" bem merece ser aqui recordada como uma das mais importantes publicações dedicadas à 9ª Arte que existiram em Portugal.

Inicialmenta a periodicidade da revista "Visão" era quinzenal, mas foi só durante três meses, tendo havido uma suspensão e regressou a 10 de Outubro de 1975 com 52 páginas e ao preço de 40$00, mantendo a mesma qualidade dos números anteriores. Nomes  como Carlos Barradas, Isabel Lobinho, José Maria André, Machado da Graça, Zepe, entre outros colaboradores ofereceram aos amantes da 9ª Arte uma revista de banda desenhada inesquecível.

Rui Luís Lima

Revista Spirou - 2ª Série

Rui Luís Lima, 20.07.25

revista spirou.jpg

Spirou - 2ª Série

Director: Vasco Granja

Páginas: 32

Preço: 17$50

Ano: 1979

A 10 de Abril de 1979 o conhecido Vasco Granja, um dos maiores divulgadores da banda desenhada em Portugal, surgia à frente deste regresso às bancas da revista Spirou, com heróis bem conhecidos, ao mesmo tempo que abria as portas para os autores portugueses da 9ª Arte. Infelizmente esta segunda série da revista Spirou teve uma curta duração terminando a publicação com o fascículo nº.32 saído a 13 de Novembro de 1979, deixando algumas das histórias "em continuação" por concluir.

40 anos depois um grupo de entusiastas da banda desenhada, editaram na net mais quatro fascículos no formato digital, completando as aventuras que estavam por concluir, ao mesmo tempo que prestavam uma bela homenagem a esta revista e a todos os que por lá trabalharam na divulgação da banda desenhada.

Rui Luís Lima

Revista Condor

Rui Luís Lima, 14.07.25

revista condor.jpg

Revista Condor nº 1
Para adultos, maiores de 20 anos!
Lançado a 01 de Maio de 1951 - Periocidade: Mensal
Ano: 1951

O primeiro número da Colecção Condor, surgido a 1 de Maio de 1951, oferece-nos uma aventura de "«Tomahawk» Tom", da autoria de Vítor Péon (desenho) e Edgar Gaygill (argumento).

Recorde-se que Edgar Gaygill é um dos muitos pseudónimos de Roussado Pinto, esse escritor dos "sete instrumentos" amante da banda desenhada e que bem merece não ser esquecido, já Ross Pynn era o pseudónimo utilizado por ele na escrita dos policiais.

condor popular.jpg

Por outro lado Vítor Péon, um nome incontornável da banda desenhada portuguesa, estava nos seus inícios. Por seu lado a revista Condor irá ter, na segunda página antes da banda desenhada, um texto dos editores apresentando os objectivos desta colecção, que iria oferecer em cada número uma história completa de banda desenhada. Já na contra-capa era anunciado para o número seguinte uma aventura do famoso detective Rip Kirby. Por fim nunca será demais chamar a atenção para a capa que refere "para adultos, maiores de vinte anos"!

"«Tomahawk» Tom" foi um herói criado por Vítor Péon e Edgar Caygill (Roussado Pinto) cuja acção se desenrolava no "far-west" e que virá a ter as suas aventuras publicadas em diversas publicações incluíndo o famoso "Jornal do Cuto", assim como diversas aventuras realistas de quatro páginas na célebre revista Tintin. 

condor.jpg

Confesso que tenho belas memórias da revista "Condor" e do seu irmão gémeo "Ciclone" porque foram as primeiras revistas que li de banda desenhada e onde dei os meus primeiros passos na leitura da 9ª Arte, na época custava dez tostões. Ao longo dos anos a revista "Condor" teve diversas séries e formatos sendo em 1972 que surgiu a edição definitiva que se manteve durante álgum tempo, revelando-se como uma das publicações de banda desenhada de maior longevidade.

Rui Luís Lima

Foguetão - Semanário juvenil para o ano 2000

Rui Luís Lima, 10.07.25

foguetão.jpg

Foguetão - Semanário juvenil para o ano 2000
Director: Adolfo Simões Müller
Nº.1 - 4 de Maio de 1961
Nº.13 (último número) - 27 de Julho de 1961
Preço: 2$50 (vinte e cinco tostões)

O blog "Notícias de Marte" é fruto das minhas memórias dos livros que li e leio ao correr do tempo, mas também de algumas revistas de banda desenhada que, como um dia escrevi, foram as minhas primeiras leituras e hoje decidi recordar uma revista de banda desenhada que bem merece ficar na história das revistas de banda desenhada publicadas no nosso país.

Como refere na capa deste primeiro número da revista de banda desenhada "Foguetão", são sete as aventuras de banda desenhada que se  incia a sua publicação:

- "Tintin no Tibet"

- "Capitão Marte - Planeta Desconhecido"

- "Valente (Jean Valhardi) - O Sol Negro"

- "Astérix - O Guerreiro Gaulês"

- "Michel Tanguy - Céu de Glória"

- "Sexton Blake - O Olhar do Ídolo"

- "Blake & Mortimer - A Armadilha Diabólica"

Na verdade o "Foguetão" tinha umas dimensões fora do vulgar 300 x 420 mm e um preço elevado para a época, mas foi uma aposta desse entusiasta chamado Adolfo Simões Müller que durante décadas se dedicou a divulgar a 9ª arte em diversas publicações que criou, mas também a cultura do saber, para abrir os horizontes dos mais jovens e só por isso deve ser recordado.

Como só saíram 13 números a maioria das histórias de BD ficaram incompletas e como tinha os direitos decidiu continuar a sua publicação no "Cavaleiro Andante", inserindo um resumo do que tinha saído no "Foguetão" situando o leitor e depois publicou as restantes pranchas dos respectivos heróis e certamente os leitores do "Cavaleiro Andante" ficaram bem contentes.

Para além da banda desenhada havia outras secções como habitualmente sucedia nas publicações dirigidas por Adolfo Simões Müller:

- O primeiro capítulo do romance de mistério e aventura «o enigma chinês»

- As lições de José Águas

- Artes Mágicas e Passatempos

- Clube de Mistério

- Jornal de ontem e jornal de amanhã

- A grande reportagem ilustrada «o maior naufrágio de todos os tempos»

- Os construtores do Cosmos

- Concursos com prémio (geralmente havia um rádio)

Foguetão - Semanário juvenil para o ano 2000 bem merece ser recordado. A última vez que o tive nas mãos foi na bdteca que tinha todos os números, os quais se encontram agora disponíveis na hemeroteca digital na net à distância de um clic!

Rui Luís Lima

Revista Tintin

Rui Luís Lima, 08.07.25

tintin.jpg

Revista Tintin
Nº.1 - 1 de Junho de 1968
Último Número: 20 de Outubro de 1982
Primeiro Director: Jaime Mas
Preço: 5$00
Ano: 1968

A revista dos jovens dos 7 aos 77 anos surgiu nas bancas a 1 de Junho de 1968 e de imediato comecei a comprar, depois o simpático e amigo Mário Correia começou a deixar no "Café dos Filósofos" a revista e a minha avó lá ma trazia e eu devorava as 28 páginas de uma ponta à outra e quando as histórias ficavam completas "enfiava" os fascículos uns nos outros nos locais da aventura que desejava e "toca" a ler de novo!

Foi no Tintin que descobri a banda desenhada franco-belga e as primeira histórias que li do Tintin, Astérix, Lucky Luke e companhia foi precisamente nas páginas desta revista, que felizmente já nos oferecia o nome do herói com dois "n" e não o "m" de outros tempos, um facto curioso que até foi referido pelo próprio Hergé no filme que é exibido no Museu Hergé, na Bélgica, cuja visita recomendo, porque Hergé é muito mais do que Tintin.

Mas esta histórica revista de banda desenhada tinha um trunfo a seu favor em relação às congéneres publicadas em outros países, porque tínhamos as bandas desenhadas do Tintin belga, mas também algumas da Pilote (Astérix e Lucky Luke) e ainda da Spirou. Confesso que foi uma jogada de Mestre dos editores, que tiveram como directores nomes como Dinis Machado e Vasco Granja, com este último a responder ao "correio dos leitores" e a oferecer-nos maravilhosos textos sobre os criadores de banda desenhada.

Depois a editora criou umas capas para fazermos volumes com cada conjunto de 26 fascículos e lá fui com a minha avó a um encadernador na rua da Imprensa Nacional para encadernar os Tintin e "toca" a ler tudo de novo. Mas o que me aborrecia era eles não publicarem o "Tintin no País dos Sovietes" e o "Raio U" do Edgar Pierre Jacobs, duas histórias de que falava muito o Vasco Granja, mas anos mais tarde lá consegui ler as duas aventuras, que adorei. A primeira do Tintin ainda me faz rir hoje em dia pelo seu humor e a do E. P. Jacobs é um convite para nos apaixonarmos pela ficção-cientifica. Por fim aqui vos deixo uma breve viagem pelas célebres capas da revista Tintin, como uma bele memória de uma das mais fascinantes revistas de banda desenhada publicadas no nosso país.

Rui Luís Lima

Jornal do Cuto

Rui Luís Lima, 06.07.25

jornal do cuto.jpg

Jornal do Cuto
Director: Roussado Pinto
nº1 - 7 de Julho de 1971
nº.174 - 1 de Fevereiro de 1978 - (último número)
Periocidade: semanal
Preço: 5$00

Quando surgiu o último fascículo desta bela colecção de banda desenhada, dirigida por esse entusiasta da 9ª Arte  chamado Roussado Pinto, que usava inúmeros pseudónimos e escrevia todos os géneros de literatura, o preço da revista era de 15$00 e a periocidade ao longo do tempo teve variações: semanal, quinzenal, mensal.

Jesus Blasco (1919 - 1995) é o criador de "Cuto", que assim via o seu jovem herói associado a uma revista com o seu nome e confesso que adorava ler esta revista de BD, porque para além das bandas desenhadas, tínhamos contos e muito mais, na verdade a cultura também passava por aqui e era sempre uma bela associação com a 9ª Arte, para além dessas BD do Eduardo Teixeira Coelho que revisitavam a História ou os contos de Raul Correia e ainda uns bonecos da bola para alegrar a malta a par de obras da pintura mundial.

Para além de "Cuto", passaram por aqui heróis da banda desenhada mundial  como "Tarzan" o herói da selva nascido da genialidade de Edgar Rice Burroughs, que teve inúmeros desenhadores ao longo dos anos; "Cisco Kid" criado por José Luis Salinas, que teve tanto sucesso que viria  a surgir na rádio e na televisão; "Fantasma" e "Mandrake" fruto da fértil imaginação do célebre Lee Falk;  o detective "Rip Kirby" e a ficção-científica com "Flash Gordon" ambos nascidos desse génio da banda desenhada chamado Alex Raymond; as aventuras do mais célebre fora-da-lei da época medieval, o célebre "Robin dos Bosques", que a arte do espanhol Jesus Blasco nos ofereceu maravilhosas pranchas de bd; o célebre "Popeye - o Marinheiro",que na época víamos na caixa que mudou o mundo, graças à fértil imaginação de Bud Sagendorf e muitos mais heróis da 9ª arte, que me alegravam as manhãs, as tardes e as noites da minha infância.

Por aqui no blog "Notícias de Marte", dedicado aos livros, irei recordar mais algumas revistas de banda desenhada, que marcaram o panorama editorial no nosso país.

Rui Luís Lima

Revista Cavaleiro Andante

Rui Luís Lima, 17.06.25

cavaleiro_andante.jpg..jpg

Cavaleiro Andante - (1952 - 1962)

Nº.1 - 5 de Janeiro de 1952
Nº 556 - 25 de Agosto de 1962
Director: Adolfo Simões Müller
Preço: 1$80 (18 tostões)

Ao longo de 10 anos a revista de banda desenhada "Cavaleiro Andante" fez as delicias dos seus leitores, oferecendo-lhes entretenimento e cultura, para além dos famosos prémios: aqueles rádios e ainda ofereceu uma viagem de avião, para além de promover encontros de leitores!

Os leitores escreviam-lhe e eles respondiam, mas também tinham jogos e até uma página para as meninas andou por lá, para além dos "cromos" do futebol. O responsável foi o seu director Adolfo Simões Müller, um homem que sabia do ofício e até tinha lançado, num formato bem diferente (300 x 400 cm), a revista de banda desenhada "O Foguetão", que infelizmente só durou uma "dúzia" de números, passando as histórias que ficaram incompletas para o "Cavaleiro Andante".

A capa do número um, com aquele cavaleiro andante, é da autoria de Fernando Bento, um dos desenhadores portugueses que mais contribuiu para o sucesso desta revista que gostava muito da BD franco-belga e que se revelou um nome incontornável no interior da banda desenhada portuguesa e que nunca é demais recordar.. José Ruy, Eduardo Teixeira Coelho, José Garcês e José Manuel Soares foram outros autores de banda desenhada, que ofereceram a sua arte aos leitores desta revista, para além das novelas do Oeste e policiais que tinham sempre presença em cada número da revista.

O "Cavaleiro Andante" formou culturalmente milhares de leitores e fez nascer o gosto pela 9ª Arte neste pequeno país à beira mar plantado.

Paula Nunes Lima

Rui Luís Lima