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Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Joe Gores- “Hammett”

Rui Luís Lima, 24.11.25

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Joe Gores
“Hammett”
A Regra do Jogo

Tal como Dashiell Hammett, também Joe Gores exerceu a actividade de detective em S. Francisco, antes de se dedicar à escrita, revelando-se bem cedo como um admirador desse célebre escritor norte-americano, que revolucionou o romance policial e desde cedo ficou na lista negra do temível J. Edgar Hoover.

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Joe Gores escreveu “Hammett” em 1976 e, alguns anos mais tarde, o romance irá despertar o interesse de Wim Wenders que irá realizar o filme, tendo em Frederick Forrest um perfeito Dashiell Hammett. Mas infelizmente a película foi rodada no período mais conturbado da Zoetroppe Films de Francis Ford Coppola, que se encontrava a trabalhar em “One From The Heart” / “Do Fundo do Coração”, com Frederick Forrest a participar nos dois filmes como protagonista.  Coppola não gostava do que via nas “rushes” da película de Wim Wenders e decidiu remontar o filme, terminando por nunca sabermos o que pertence a um e a outro, embora o resultado final seja bem positivo.

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Já o livro de Joe Gores (que nos deixou em 2011, precisamente 50 anos depois de Hammett) oferece-nos uma viagem pelo interior do universo de Dashiell Hammett, desde a forma como abordava as suas "short-stories" e romances, passando pela sua actividade como detective, até ao seu relacionamento com as mulheres. “Hammett” é muito mais que um simples romance policial, porque por aqui passam afluentes literários que conduzem o romance ao grande oceano literário.

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A admiração de Joe Gores por Dashiel Hammett irá conduzir a que venha a escrever em 2009 uma “prequela” do famoso “O Falcão de Malta” / “The Maltese Falcon”, intitulada “Spade & Archer”. Recorde-se que o "Op" de que fala Hammett, no excerto que reproduzimos, irá servir de modelo ao detective Sam Spade, que foi protagonizado no cinema por Humphrey Bogart.

Rui Luís Lima

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“Num gesto de impaciência, Dashiell Hammett atirou para o lado o "Black Mask" de Dezembro de 1927. Precisava de uma nova complicação, uma outra cena que mostrasse o Op a fazer aquecer aquilo em Poisonville, para que as quatro novelas publicadas pudessem funcionar como romance. E como o livro, intitulado Ceifa Vermelha, já estava programado para publicação, tinha de despachar-se a escrever as cenas suplementares.

Desatou a andar de um lado para o outro no pequeno living atulhado. E se…não, não ía dar. Mas…

Sim, claro. Talvez um combate de boxe. Boa. Para aí numa barraca de feira ou coisa assim, fora da cidade. Mas depois, como fazer do Op o catalisador da coisa…

Hammett parou para consultar o relógio de pulso. Ainda dava para ir à Steiner Street buscar uma entrada para o combate da noite no Winterland. Abrira há pouco tempo, ainda nem conhecia aquilo por dentro. Portanto, por que não? Era capaz de ficar com umas ideias com que pudesse trabalhar na Ceifa Vermelha na sessão de escrita dessa noite.”

Joe Gores

in “Hammett”

Rex Stout - "O Cadáver que não se calou" / "O Caso do Testamento" 

Rui Luís Lima, 07.11.25

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Rex Stout
"O Cadáver que não se calou" / "O Caso do Testamento" 
Colecção: Obras Escolhidas de Rex Stout nº.3
Livros do Brasil

Não é todos os dias que temos Nero Wolfe a sair de casa detido pela polícia e depois na esquadra a agredir um inspector. Mas nada melhor do que dar a palavra a Archie Goodwin:

«Eu sabia que Wolfe não era tipo para brincadeiras e que, apesar da sua natural molenguice, era capaz de agir lentamente, quando a mostarda lhe subia ao nariz. Sabia também que detestava que lhe tocassem e, mais ainda, que o agarrassem. Portanto, preparei-me para intervir, no caso de as coisas se azedarem, como se prenunciava.

Porém, fui demasiadamente tardio. Com grande surpresa de todos e sobretudo de Ash, Wolfe ferrou-lhe uma «senhora bofetada», tão rápida, como violenta e sonora.

O inspector não percebeu imediatamente como aquilo acontecera, nem de onde proviera tão súbita e viril palmada.»

Rex Stout

"O Cadáver que não se calou"

Livros do Brasil

Dashiell Hammett - “Colheita Sangrenta” / “Red Harvest”

Rui Luís Lima, 15.08.25

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Dashiell Hammett
“Colheita Sangrenta” / “Red Harvest”
Colecção: Vampiro nº.12 - Nova Série
Páginas: 256
Livros do Brasil

Uma das edições mais célebres da Literatura Policial em Portugal é a “Colecção Vampiro”, que durante décadas cativou os amantes deste género literário, existindo dois formatos: o “livro de bolso” e o “Vampiro Gigante”.

A editora “Livros do Brasil”, que regressou à actividade editorial, após ter sido comprada pela “Porto Editora” e com uma nova direcção editorial fez uma transfusão de sangue, numa casa editorial que sempre foi uma das mais interessantes e incontornáveis do nosso Mercado Livreiro, decidindo reiniciar as colecções que celebrizaram os “Livros do Brasil” e como não podia deixar de ser, os célebres livros de bolso da “Colecção Vampiro” regressaram numa edição cuidada (inclui até um marcador reproduzindo a imagem da capa) de excelente apresentação e Dashiell Hammett, sendo um nome grande do romance policial, teria que ser um dos primeiros escritores a surgir na série dos Mestres da Literatura Policial!

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“Red Harvest”, o primeiro romance de Dashiell Hammett (célebre companheiro da dramaturga Lillian Hellmann), foi publicado no nosso país anteriormente com o título de “Ceifa Vermelha” (Edição de “A Regra do Jogo”), surgindo agora com a denominação de “Colheita Sangrenta” e trata-se desde logo de um desses policiais que vai tirar o sono ao leitor, porque este vai querer sempre ler a página seguinte sobre essa gente corrupta que governa “Poisonville”, essa cidade venenosa que se chama “Personville”, o engano não é só meu, o detective da Agência Continental, também concorda comigo, para além de Dashiell Hammett nos oferecer uma das mais trágicas e belas “Femme Fatale” de que há memória na literatura policial, a bela Dinah Brand, já que a escrita de Dashiell Hammett é profundamente visual e só falta os irmãos Coen fazerem a adaptação cinematográfica.

Será sempre de referir que Dashiell Hammett conhece bem a cidade que nos convida a conhecer através do seu detective, já que ele mesmo, na sua anterior actividade para a famosa Agência Pinkerton, andou por Personville, antes de se decidir dedicar a tempo inteiro à escrita; ao acompanharmos a investigação do detective da Continental, que insiste em fazer o trabalho para o qual foi contratado, apesar do seu cliente ter sido morto antes de ele chegar à cidade, conduz o leitor a caminhos até então inexplorados pelo romance policial, transformando esta “Colheita Sangrenta” / “Red Harvest” numa das mais belas estreias de um escritor, que irá marcar para sempre o romance policial.

Rui Luís Lima

John Le Carré - "O Ilustre Colegial" / "The Honourable Schollboy"

Rui Luís Lima, 25.07.25

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John Le Carré
"O Ilustre Colegial" / "The Honourable Schollboy"
Páginas: 655
Dom Quixote

Mr. David John Moore Cornwell, mais conhecido no universo literário por John Le Carré, ex-membro dos Serviços Secretos Britânicos, quando escreveu o seu primeiro romance ainda pertencia ao MI6 e por aqueles corredores bem cinzentos por onde ele se movimentava muito boa gente andava em sobressalto devido a terem um romancista entre eles que, apesar de possuir uma imaginação fértil, conhecia de facto a triste realidade dos Serviços Secretos Ocidentais, mas também os do outro lado do muro.

Durante décadas os Serviços Secretos de Sua Majestade Britânica Isabel II foram um dos territórios mais férteis de fuga de informação dita classificada, ao mesmo tempo que se transformava no mais perfeito e brilhante covil de toupeiras, durante o período da denominada Guerra Fria, de que há memória.

Este tema tão delicado será o eleito por John Le Carré ao fazer nascer essa personagem “cinzenta” chamado George Smiley, um homem “vulgar”, dono de uma inteligência e uma perspicácia únicas, que irá ter do outro lado do muro ou se preferirem do outro lado da cortina de ferro um opositor soviético de nome Karla, que se irá tornar no seu maior pesadelo.

“O Ilustre Colegial” é o segundo volume deste duelo entre Smiley e Karla, onde iremos percorrer os mais diversos cenários, desde o Sudoeste Asiático, tendo Hong-Kong como pano de fundo, passando inevitavelmente por Londres, onde Smiley reorganiza os Serviços do Circus, anteriormente” danificados” por Karla, até chegar aos Balcans onde se encontra esse Ilustre Colegial, um agente adormecido à espera de missão, que irá tentar impedir que o KGB continue a realizar com sucesso as suas acções numa nova zona do globo, considerada estratégica para os Serviços Ocidentais.

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John Le Carré, ao longo dos capítulos de “O Ilustre Colegial”, vai-nos apresentar personagens já conhecidas do leitor, desenrolando-se a acção em diversos cenários, que nos são oferecidos em capítulos distintos, ao mesmo tempo que descobrimos o retrato bem mordaz com que John Le Carré caracteriza o jornalismo praticado nesses tempos da Guerra Fria, em que não há almoços grátis e os inocentes são uma raça em via de extinção

A escrita de John Le Carré, tendo em conta o tema que retrata e que tão bem conheceu, surge minuciosa e detalhada em todos os pormenores da acção, obrigando o leitor a absorver cuidadosamente todos os detalhes referidos ao longo do livro para compreender a trama que se está a desenrolar, onde a intoxicação de informação usando os jornalistas como correia de transmissão é um dado mais do que adquirido.

John Le Carré, ao longo do seu percurso literário, revelou-se um dos mais admiráveis escritores de romances policiais, sempre no cerne do acontecimento político e tantas vezes incómodo para as autoridades, que olhavam sempre com desconfiança o aparecimento de um novo livro do escritor no universo literário.

Podemos até imaginar os frequentadores desses corredores cinzentos onde se movimentam os serviços secretos, com as suas inevitáveis casas seguras e os seus escritórios camuflados de firmas de advogados a murmurarem uns com ou outros; “mas que será que ele descobriu agora, para nos atormentar?”

John Le Carré faleceu a 12 de Dezembro de 2020, mas os seus livros permanecem bem vivos e são o retrato deste mundo contemporâneo em que vivemos.

Rui Luís Lima

Arthur Conan Doyle - “Histórias à Lareira” / "Round Fire Stories"

Rui Luís Lima, 13.07.25

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Arthur Conan Doyle
“Histórias à Lareira” / "Round Fire Stories"
Páginas: 218
Livros do Brasil

Arthur Conan Doyle é um nome incontornável na arte do romance policial com o seu célebre Sherlock Holmes e o seu amigo Dr. Watson a deslindarem os casos mais intrigantes que lhes foram surgindo ao longo dos anos para grande deleite dos seus leitores e tudo graças a este genial escritor que um dia decidiu que estava cansado da personagem que o celebrizara e decidiu colocar um ponto final nas suas aventuras, quando ele se encontrou com o diabólico "Professor Moriaty" nas cataratas de Reichenbach.

Na época da publicação deste “final” os seus leitores ficaram à beira de um “ataque de nervos” com o desaparecimento de Sherlock Holmes, mas pior ainda ficou o editor de “The Strand”, cujas vendas memoráveis deviam imenso ao célebre detective e nem as centenas de cartas recebidas na redacção da publicação demoveram na época Conan Doyle, tendo sido estabelecido um acordo de cavaleiros entre o escritor e George Newnes, em que o escritor iria continuar a escrever histórias de crime e mistério, mas sem o famoso detective, para assim contornar o inevitável atrito com os leitores e impedir a queda das tiragens do jornal.

Nasceram assim um conjunto de contos magníficos que serão publicados entre Junho de 1898 e Maio de 1899. A genialidade de Conan Doyle sobrevivia ao desaparecimento de Sherlock Holmes, mas mais tarde o escritor decide retomar as aventuras do famoso detective de Baker Street, que afinal tinha sobrevivido à queda nas cataratas, num belo artifício que iria surpreender o próprio Dr. Watson.

Estes contos que foram posteriormente compilados em dois volumes, revelam-nos a imaginação prodigiosa de Arthur Conan Doyle, que convida o leitor a deslindar casos bem intrigantes e que no final se revelam por vezes de uma simplicidade que nos deixa boquiabertos.

Aqui fica o convite para descobrirem a escrita de Arthur Conan Doyle, sem Sherlock Holmes, nestas magnificas “Histórias à Lareira” / “Round Fire Stories”, que a editora Livros do Brasil decidiu oferecer aos leitores e se por acaso temem não gostar destas “short-stories”, experimentem ler um pouco do conto intitulado “A História do Comboio Especial Desaparecido”, o meu favorito!

Rui Luís Lima

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«No presente volume foram compilados contos de mistério, que devem ser lidos “à lareira”, numa noite de Inverno. Seria, para mim, o ambiente ideal para tais histórias, se um autor pode escolher a hora e o local da leitura da sua obra, tal como o artista, que escolhe a iluminação e o local ideais para exibir um quadro seu. Contudo, se estes contos puderem dar alegria a alguém, em qualquer local e em qualquer momento, o seu autor dar-se-á por muito satisfeito.»

Arthur Conan Doyle

(Prefácio)

Raymond Chandler - “O Imenso Adeus”

Rui Luís Lima, 09.07.25

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Raymond Chandler
“O Imenso Adeus”
Páginas: 414
Livros do Brasil

Durante décadas a Colecção Vampiro albergou os Mestres da Literatura Policial; após mudanças editoriais, ela regressou ao contacto com o leitor, oferecendo uma nova imagem gráfica, bastante cuidada e apelativa no formato de bolso e recuperando o que de melhor existe no género, dos escritores aos tradutores, ao mesmo tempo que temos uma breve introdução e respectiva foto sobre o autor e possuindo ainda um útil marcador, que recupera a imagem da capa de cada edição, por um valor monetário bem convidativo.

“O Imenso Adeus” / “The Long Goodbye”, possivelmente o mais brilhante romance de Raymond Chandler, com o seu célebre detective Philip Marlowe, surge-nos numa magnifica tradução de Mário Henrique-Leiria (o autor dos célebres “Contos do Gin-Tonic”), onde iremos descobrir um Raymond Chandler a oferecer-nos no seu famoso estilo, a literatura à flor da pele, com um olhar profundamente crítico sobre a alta-sociedade, que navega acima de qualquer suspeita, mas cujas celebridades muitas vezes não passam de uns tristes, a apagar as mágoas no álcool e a encontrarem a resolução dos seus problemas no crime e no suicídio, como iremos descobrir neste “The Long Goodbye”, cujo título acenta como uma luva ao desenrolar da trama.

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Mas Raymond Chandler e o seu detective Philip Marlowe (que imaginamos sempre com o rosto e a voz de Humphrey Bogart) vão mais longe e conhecem bem os caminhos labirínticos por onde navega a justiça e o seu preço, ao lado de umas forças policiais a agir de acordo com os “mais altos interesses da sociedade” e a juntar-se a tudo isto ainda temos um olhar sobre o êxito “literário” de um escritor de romances, cuja qualidade até é bastante duvidosa para o seu próprio editor, mas cujo sucesso junto do denominado grande público é bem conhecido de todos: um homem que sabe demasiado, com uma mulher bela e frágil e que possui no álcool o seu melhor amigo, que o leva a esquecer o que fez na noite anterior.

Neste incontornável romance policial temos também um olhar bem crítico sobre a Imprensa e o poder dos que a detém e a controlam, ou seja os seus proprietários que, como veremos, gostam sempre de permanecer na sombra, bem longe dos holofotes da fama e no meio deste universo nascido da escrita incomparável de Raymond Chandler, convido-o a fixar o nome de Tony Lennox ou se preferir chame-lhe… porque quando terminar a leitura de “O Imenso Adeus”, vai ter pena de ter terminado de ler este policial, porque ele respira literatura em cada esquina e depois, o que encontra nas margens de cada página escrita nesse ano de 1953, poderia por um passe de magia ser transferida para os dias de hoje e chamar-lhe o retrato do século XXI!

Rui Luís Lima

Rex Stout - “Cozinheiros a Mais”

Rui Luís Lima, 18.06.25

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Rex Stout
“Cozinheiros a Mais” / “Too Many Cooks”
Colecção: Obras Escolhidas de Rex Stout nº.1
Livros do Brasil

Numa época em que a gastronomia invadiu a televisão, com os seus concursos e até com canais temáticos dedicados à arte de bem comer e as páginas dos jornais são invadidas com crónicas dedicadas à gastronomia, nunca é demais lembrar José Quitério, o mais brilhante cronista que fez da sua escrita uma verdadeira arte literária, mas também é incontornável ler este livro do brilhante Rex Stout, criador desse detective chamado Nero Wolfe, que para além de ter uma enorme paixão por orquídeas, se revelou o mais célebre gastrónomo do romance policial e se tem dúvidas perguntem ao Fritz, seu cozinheiro privado, mas também ao seu parceiro Archie Goodwin, que nos surge como narrador no excerto que reproduzimos do livro “Cozinheiros a Mais” / “Too Many Cooks” e se não percebem como Nero Wolfe levou um tiro, ele que raramente sai de casa devido à sua massa corporal que ronda os 120 quilos segundo uns, mas que Archie pensa que talvez seja de 150 quilos, apenas posso adiantar que Nero Wolfe saiu de casa e até deixou o Fritz com uma lágrima no olho, para se dirigir a um encontro de gastronomia patrocinado pelos maiores chefs do planeta.

Pode não acreditar, mas a viagem foi longa e de comboio, certamente já estão a ver a dificuldade de Nero Wolfe a movimentar-se nas carruagens e quando chega ao encontro para o alegre convívio com os maiores especialistas da arte de bem comer, irá descobrir que um deles será assassinado e vou ficar por aqui e o melhor é eu também estar precavido e ir fechar a janela...

Rui Luís Lima

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«Não penso que tenha ouvido alguma coisa. Mas alguma coisa me fez virar repentinamente a cabeça e, mesmo nessa altura, tudo o que vi foi um movimento nos arbustos do lado de fora da janela e não tenho a mínima ideia do que me fez atirar com os papéis. Mas atirei-os directamente à janela. No mesmo momento, uma arma foi disparada, forte e alto. Simultaneamente, veio pela janela fumo e cheiro a pólvora, os papéis voaram e caíram no chão. Ouvi a voz de Wolfe atrás de mim:

- Archie olhe aqui.

Olhei e vi sangue a correr-lhe, rosto abaixo. Por um segundo fiquei paralisado. Quis saltar pela janela e apanhar o filho da… o atirador e dar-lhe um tratamento pessoal. E Wolfe não estava morto, continuava sentado. Mas o sangue parecia abundante. Saltei para o lado da cama.»

Rex Stout

“Cozinheiros a Mais”

Livros do Brasil

Raymond Chandler - "A Janela Alta"

Rui Luís Lima, 28.05.25

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Raymond Chandler
"A Janela Alta" / "The High Window"
Páginas: 286
Livros do Brasil

Estamos perante um desses policiais "vintage" assinado por Raymond Chandler em 1942 em que mais uma vez iremos ter a companhia de Marlowe ou se preferirem Humphrey Bogart, porque quem conhece os filmes que se fizeram em Hollywood, ao ler os célebres romances de Raymond Chandler é inevitável associarmos o actor ao personagem e depois o ritmo de "A Janela Alta" / "The High Window" é de tal forma cinematográfico que no final de cada capítulo temos o "raccord" perfeito com o seguinte, como se tratasse de um filme, impedindo-nos de largar o livro. Confesso que o li de um fôlego, se me é permitida a expressão, e por outro lado nunca é demais referir que a literatura passa por aqui, porque Raymond Chandler é genial.

Esta nova série da "Colecção Vampiro", que já vai no número quarenta e cinco é feita sempre com enorme cuidado, desde as capas, à tradução e impressão, a qualidade do papel e até aquele belo marcador que acompanha sempre os livros e que tem como referência sempre o livro em questão. Estes novos "vampiros de bolso", que recuperam uma das mais célebres colecções da literatura policial criadas no nosso país oferecem-nos os  melhores Mestres da Literatura Policial!

Rui Luís Lima