Instrumentos de Escrita!
Bic Cristal
Preço: 2$50 ou 25 tostões, se preferirem.
Ano: 1968
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Nos dias de hoje quando decidimos escrever, na maioria dos casos, procuramos o computador e o respectivo teclado ou então ligamos o telemóvel ou o mais inteligente "smartphone" e dedilhamos por ali fora, havendo até quem corte uns dedos das luvas para, em tempo de frio, as mãos não arrefecerem.
Mas nem sempre foi assim e no século passado, nessa época em que fui adolescente, as célebres "Bic Cristal" eram as esferográficas mais usadas pela malta, preferíamos sempre a azul, embora os "profes" gostassem mais de nos verem a escrever a preto, para depois corrigirem a vermelho!
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Bic Laranja
Ano:1968
Preço: 3$00 (três escudos)
As célebres "Bic Laranja" eram as favoritas das miúdas que gostavam muito de as usar, porque ofereciam uma caligrafia mais bonita e feminina e quando víamos algum dos nossos a escrever com elas, só podia ser emprestada! Depois os tempos e a simbologia foram alterados. Recordo, para evitar más interpretações, que estávamos nos anos 70 do século XX.
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Lápis Viarco nº2
Preço: 1$00 (dez tostões)
Ano: 1968
Longe vão os tempos em que Ernest Hemingway, sentado à mesa dos cafés em Paris, escrevia as suas crónicas e contos utilizando o lápis como instrumento de escrita num livro de formato pequeno e capa preta semelhante aos hoje famosos Moleskines , que viriam a ser popularizados pelo escritor Bruce Chatwin. Já nós utilizávamos a famosa Sebenta "Estudante" para usar o lápis Viarco, que aqui aparecem afiados. mas geralmente tinha de ser a malta a afiar o lápis, pedindo emprestado o célebre apara-lápis à socapa, para não termos as temíveis faltas de material, que eram uma enorme dor de cabeça nas aulas de desenho, quando fazíamos contas para nos baldarmos às aulas no final do ano lectivo.
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Lápis Staedtler Norris nºs.1, 2, 3, 4.
Preço: 1$50
Ano: 1968
Destes lápis Staedtler Norris gostávamos mais e havia os números 1, 2, 3 e 4, que se diferenciavam pela cor no topo. O nosso preferido era o nº.2 de topo vermelho, era maravilhoso para os apontamentos nas sebentas "Estudante" e para também jogarmos à batalha naval nas aulas ou jogar às palavras, quando os profes estavam de costas no quadro a escrever e escrever com o famoso pau de giz branco, que gostávamos de partir à socapa antes das aulas se inicarem, mas se fossemos apanhados, tinhamos que pagar uma caixa de giz e arriscávamos um dia de suspensão. Eram outros tempos!
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Foram estes os nossos instrumentos de escrita que nos iniciaram na viagem do universo das palavras, que anos mais tarde nos conduziu a escrever contos, poemas e textos de humor, que nos dias de hoje, caso vissem a luz do dia, arriscavam de imediato a ter um processo não fosse alguém conhecer os protagonistas de "O Café dos Filósofos" que, por enquanto, vivem na clandestinidade, na casa do homem que escrevia livros na cabeça, e era vizinho da Patricia Highsmith quando ela vivia na Provence, perto da casa do Larry, que odiava Paris depois de lhe terem roubado a carteira na cidade das luzes.
Rui Luís Lima