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Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

O Candeeiro Verde!

Rui Luís Lima, 30.12.25

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O Candeeiro Verde!

Sempre que via estes candeeiros nos filmes, geralmente em bibliotecas, mas também noutros locais, ficava fascinado com eles e até vi dois episódios da série de televisão "Sem Rasto", que tratavam de um sequestro numa livraria repleta destes belos candeeiros. Mais tarde num antiquário na Baixa Lisboeta encontrei o famoso candeeiro verde (usado), mas pediram-me 150,00 € por ele e rapidamente desistimos da compra.

Meses depois voltei a cruzar-me com ele, mas noutra cor sem ser o tradicional verde, mas novo, e desta feita o seu valor era 120,00 € e estivemos quase a cair na tentação, mas depois decidi esperar mais um pouco até que numa viagem a Paris o encontrámos numa loja em frente ao Centro Pompidou, ainda mais barato, mas depois de pesarmos os prós e os contras, mais uma vez a sua vinda ficou adiada até que por mero acaso a senhora aqui de casa se cruzou com ele, quase ao virar da esquina, a um preço bem convidativo e novinho em folha a 60,00 €, posso confessor que são oriundos da Alemanha e como um belo aniversário estava próximo, aqui está ele, já a ser utilizado porque não resisti a esta bela e convidativa tentação.

Rui Luís Lima

Fumar! Não Fumar!

Rui Luís Lima, 08.11.25

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Fumar! Não Fumar!

O Tabaco faz mal à saúde!

Um dia destes à noite estava a escrever um post para um dos meus blogs e na televisão era exibido um filme espanhol e de súbito a conversa chamou-me a atenção para os dois personagens que conversavam na entrada de um prédio:

- “Antigamente podia-se fumar à vontade no emprego, agora se queremos fumar um cigarro temos de vir para a rua”.

- “Dantes toda a gente fumava, agora já ninguém fuma”

- “ Mas já estás a fumar outro cigarro!”

 - “O que queres, agora só posso fumar à hora de almoço, quando sair!”

E o que diziam aquelas personagens do filme era bem verdade, ainda me recordo dos cinzeiros nas costas dos bancos dos autocarros e das camionetas, Toda a gente fumava, mas os tempos são outros e o tabaco, faz muito mal à saúde e também à bolsa. Um fumador que queira deixar de fumar apenas tem que fazer contas ao que gasta em tabaco para rapidamente deixar de fumar!

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Foi com um cigarrinho Português Suave, oferecido numa noite de muita chuva, que iniciei a minha carreira de fumador nesse ano de 1968, que viria a ser terminada em 2010. Surf, Kart, Ritz, SG Gigante e Camel foram algumas das marcas mais "visitadas". 

Já o Tapioca do Café dos Filósofos, que anda neurótico com os últimos acontecimentos no Planeta Terra e não fumava à longos anos decidiu ir à Tabacaria comprar um maço de SG Gigante e, na Tabacaria da esquina, o funcionário desconhecia a existência da marca e dizia que ele devia estar confuso, irritado o Tapioca começou a falar no filme do Manuel Mozos em que o João Bénard da Costa fuma cigarro atrás de cigarro SG Gigante, até fazia recordar o Belmondo no "Acossado" de Jean-Luc Godard, com dois maços em cima da mesa, mas o funcionário também não sabia quem era o Bénard da Costa e depois pediu-lhe para sair da loja, pois tinha mais clientes para atender à espera na entrada da Tabacaria era dia de Totoloto. 

Desalentado e acossado com o estado a que chegámos, o Tapioca desistiu de regressar ao tabaco, já não fumava à longos anos, e ao sair nem reparou que o cliente seguinte era o neto do Alves, que pediu um maço de tabaco de 27 cigarros!?

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Quando os maços de tabaco começaram a ter imagens que alertavam o fumador para os malefícios do tabaco foram criadas umas embalagens com diversos motivos para se introduzir o maço de tabaco, no intuito de esconder as imagens que os maços passaram a exibir, mas os fumadores, que são cada vez menos não corresponderam à compra destas embalgens.

Se está interessado em conhecer melhor a indústria do tabaco em Portugal recomendo que leia dois livros editados no nosso país: "Os Tabacos: Sua influência na Vida da Nação" de Raul Esteves dos Santos editado pela Seara Nova em 1974 e o livro da autoria de Maria Filomena Mónica intitulado "O Tabaco e o Poder - 100 Anos da Companhia dos Tabacos de Portugal", editado pela Quetzal em 1992.

Rui Luís Lima

Colecção "6 Balas" e o "western" na Literatura Popular!

Rui Luís Lima, 07.09.25

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Colecção 6 Balas nº.1
"Encontrou o seu Destino"
Preço: 1$50
Periocidade: Semanal

Será que alguém ainda se recorda destes livros de muito pequeno formato, dedicados às "cowboiadas", cuja colecção "6 Balas" era a mais popular, assim como a "Cow-Boy"?

Li imensos destes livros na infância e ainda tínhamos direito a meia-dúzia de páginas ilustradas, para termos uma ideia mais precisa dos heróis e dos fora-da-lei, para além das personagens femininas, que tal como nos filmes faziam também bater o coração dos heróis.

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A Biblioteca Nacional dedicou uma exposição aos produtos editados pela Agência Portuguesa de Revistas, onde se poderiam encontrar desde os então famosos volumes de literatura popular, que abordavam o romance, sendo o seu expoente máximo o famoso "Corin Tellado", até ao "western", assim como os volumes dedicados à 2ª Grande Guerra  com a colecção "Patrulha de Combate"e aos célebres policiais com a colecção "FBI", por onde andavam também alguns autores portugueses que também utilizavam pseudónimos.

Recordo que estes livros e respectivas colecções eram oriundos de terras de Espanha, em especial da cidade de Barcelona, com os autores a assinarem com pseudónimos americanos, muitas vezes para esconderem a sua identidade, em virtude de terem combatido na tristemente famosa Guerra Civil de Espanha do lado da República, 

Depois tínhamos as bandas desenhadas e um número infindável de colecções, sendo sempre de destacar o "Mundo de Aventuras" e respectivas revistas gémeas de temáticas diferentes, quando este se especializou nos quadradinhos dedicados ao "western", para além das famosas colecções de cromos e estes livros de pequeno formato, que fizeram as minhas delicias numas férias em criança passadas na praia da Nazaré e que ficaram para sempre na minha memória, sendo a colecção "6 Balas" a minha preferida, embora também lesse a "Cow-Boy". 

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Mas o que desconhecia na minha infância era que estes livros eram histórias "condensadas" dos volumes editados nas outras colecções editadas pela Agência Portuguesa de Revistas dedicadas ao "western" e como nestas férias de verão, após ter descberto uma duzia destes volumes numa troca de livros, decidi levá-los a "banhos" para ler na praia e confesso que os devorei, um por dia, como fazia em criança e o curioso é que todos eles eram bem diferentes.

E ao contrário do que se pensa nas décadas de 50/60/e meados de 70, do século passado, os autores mais lidos em Portugal, não eram os franceses, como sempre se pensou, mas um estudo recente revelou serem os autores espanhóis de Literatura Popular, que abordavam tods os géneros, os mais lidos. Em breve iremos falar deles, porque bem merecem não ser esquecidos.

Boas leituras e bom domingo!

Rui Luís Lima

Lawrence Ferlinghetti - "Como Eu Costumava Dizer"

Rui Luís Lima, 04.09.25

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Lawrence Ferlinghetti
"Como Eu Costumava Dizer"
Páginas: 112
Cadernos de Poesia nº.22
Publicações Dom Quixote

Foi em 1974 na Livraria Barateira que descobri esta antologia de poemas de Lawrence Ferlinghetti que me custou 7$50 (sete escudos e cinquenta centavos), nesse ano tinha lido o "Pela Estada Fora" do Kerouac (editora Ulisseia) e tinha descoberto Allen Ginsberg e os Beatnick através de uma antologia da editora Futura, organizada por Manuel de Seabra. Ambos os livros virão a ser perdidos em empréstimos.

Depois destas duas perdas, uma delas, a dos poetas Beatnicks, nunca mais a recuperei, apesar dos muitos Alfarrabistas que tenho "corrido". Ao longo da vida perdi em empréstimos centenas de livros, discos e filmes e à conta deles também algumas amizades porque esses amigos ficavam muito aborrecidos com o pedido de devolução do produto e se devolviam a amizade tinha os dias contados. Ao longo dos anos descobri as mais variadas respostas e o caso mais curioso é um livro de Yukio Mishima de que gsto muito intitulado "O Marinheiro  que Perdeu as Graçasd do Mar", que já comprei por cinco vezes, embora só tenha um exemplar na minha posse.

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E se ainda tem paciência para estar a ler esta memória, deve estar a pensar o que tem isto a ver com o Lawrence Ferlinghetti? A resposta é simples e a época eram os anos oitenta e a acção passava-se no Terminal do Rossio na livraria da Assírio e Alvim, que tinha uma antologia bilingue do Lawrence Ferlinghetti (edição brasileira) e o dinheiro que me restava até ao final do mês era pouco ou quase nenhum e por três vezes entrei e sai da loja, pegava no livro, lia e saia, até que não resisti e comprei o livro, sem saber como iria comer nessa semana. Os jantares foram pão com manteiga e chá e os almoços muito reduzidos, mas tinha o meu Ferlinghetti e era feliz!

Anos depois o livro voou num empréstimo e nunca mais o vi...

Ao reencontrar este livro de Lawrence Ferlinghetti numa das  Bibliotecas Municipais de Lisboa, foi com imensa alegria que verifiquei que tinham restaurado o livrinho (folhas bem coladas e capa plastificada) e ao iniciar a leitura descobri uma bela introdução do tradutor José Palla e Carmo e depois foi o reencontro com um dos mais belos poemas que li ao longo da vida, que oferece o título a esta antologia: "como eu costumava dizer" e vi-me a embarcar naquele comboio para a última viagem e quando vi a agulha a mudar disse ainda não e foi precisamente isso que me sucedeu recentemente no hospital!

Rui Luís Lima

A Capital - 2ª Série

Rui Luís Lima, 31.08.25

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A Capital - 2ª Série
Nº1 - 21 de Fevereiro de 1968
Último Número: 30 de Julho de 2005
Primeiro Director: Norberto Lopes
Preço: 1$00
Ano: 1968

Quem passa pelo meu blog "Notícias de Marte", dedicado aos livros, já percebeu que leio jornais desde tenra idade e comecei a sujar as mãos a preparar os jornais para venda na Tabacaria de um familiar. Ao reiniciar estas minhas memórias dos jornais, tinha que começar por "A Capital", porque foi o primeiro jornal que comprei com o meu próprio dinheiro, nesse ano de 1968, tinha 9 anos, pela simples razão que às segundas-feiras o suplemento de "A Capital" era o "Quadradinhos", uma bela revista de banda desenhada, que se dobrava e cortava e ficava em formato A4.

Gosto muito de olhar o passado da Imprensa e ler os jornais e revistas que se publicavam no século passado, em que o jornalismo era sinónimo de muitas "coisas" belas. E por isso mesmo gostaria de referir que "A Capital", quando surgiu no ano de 1968 com uma nova vida, era fruto de um conjunto de jornalistas oriundo do "Diário de Lisboa" e que geriam "A Capital" como uma Cooperativa de Jornalistas, uma novidade na época. De referir ainda que, todos os dias, havia um suplemento temático (algo que o jornal Público, quando nasceu, viria também a ter muitos anos depois), sendo a última página desses suplementos temáticos dedicada a uma banda desenhada (as célebres páginas dominicais da BD).

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Porque me lembro disto!? Jornais não faltavam lá por casa, a minha avó trazia-os para o neto cortar e colecionar as bandas desenhadas e eu enchia os cadernos com tiras de banda desenhada. Depois comecei a ler as páginas do internacional e as da cultura, fui fixando nomes e abrindo os horizontes, muitas vezes nos primeiros tempos só percebia metade do que lia, mas não desistia e ainda havia a aqueles jornalistas que escreviam nas entrelinhas, por causa do "exame prévio" (censura) e foi com estes jornalistas e de outros jornais que me passavam pelas mãos que eu formei a minha opinião sobre o mundo em que vivemos.

Pela direcção de "A Capital" passaram nomes como Mário Neves, Rudolfo Iriarte, Francisco Sousa Tavares, David Mourão Ferreira, Cáceres Monteiro, que como jornalistas contribuíram de forma decidida para o meu olhar sobre a imprensa escrita. O jornalismo é uma profissão bem nobre cujo objectivo é informar, mas também formar os seus leitores.

Rui Luís Lima

Instrumentos de Escrita!

Rui Luís Lima, 09.08.25

Instrumentos de Escrita!

Bic Cristal
Preço: 2$50 ou 25 tostões, se preferirem.
Ano: 1968
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Nos dias de hoje quando decidimos escrever, na maioria dos casos, procuramos o computador e o respectivo teclado ou então ligamos o telemóvel ou o mais inteligente "smartphone" e dedilhamos por ali fora, havendo até quem corte uns dedos das luvas para, em tempo de frio, as mãos não arrefecerem.

Mas nem sempre foi assim e no século passado, nessa época em que fui adolescente, as célebres "Bic Cristal" eram as esferográficas mais usadas pela malta, preferíamos sempre a azul, embora os "profes" gostassem mais de nos verem a escrever a preto, para depois corrigirem a vermelho!

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Bic Laranja
Ano:1968
Preço: 3$00 (três escudos)

As célebres "Bic Laranja" eram as favoritas das miúdas que gostavam muito de as usar, porque ofereciam uma caligrafia mais bonita e feminina e quando víamos algum dos nossos a escrever com elas, só podia ser emprestada! Depois os tempos e a simbologia foram alterados. Recordo, para evitar más interpretações, que estávamos nos anos 70 do século XX.

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Lápis Viarco nº2
Preço: 1$00 (dez tostões)
Ano: 1968

Longe vão os tempos em que Ernest Hemingway, sentado à mesa dos cafés em Paris, escrevia as suas crónicas e contos utilizando o lápis como instrumento de escrita num  livro de formato pequeno e capa preta semelhante aos hoje famosos Moleskines , que viriam a ser popularizados pelo escritor Bruce Chatwin. Já nós utilizávamos a famosa Sebenta "Estudante" para usar o lápis Viarco, que aqui aparecem afiados. mas geralmente tinha de ser a malta a afiar o lápis, pedindo emprestado o célebre apara-lápis à socapa, para não termos as temíveis faltas de material, que eram uma enorme dor de cabeça nas aulas de desenho, quando fazíamos contas para nos baldarmos às aulas no final do ano lectivo.

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Lápis Staedtler Norris nºs.1, 2, 3, 4.
Preço: 1$50
Ano: 1968

Destes lápis Staedtler Norris gostávamos mais e havia os números 1, 2, 3 e 4, que se diferenciavam pela cor no topo. O nosso preferido era o nº.2 de topo vermelho, era maravilhoso para os apontamentos nas sebentas "Estudante" e para também jogarmos à batalha naval nas aulas ou jogar às palavras, quando os profes estavam de costas no quadro a escrever e escrever com o famoso pau de giz branco, que gostávamos de partir à socapa antes das aulas se inicarem, mas se fossemos apanhados, tinhamos que pagar uma caixa de giz e arriscávamos um dia de suspensão. Eram outros tempos!

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Foram estes os nossos instrumentos de escrita que nos iniciaram na viagem do universo das palavras, que anos mais tarde nos conduziu a escrever contos, poemas e textos de humor, que nos dias de hoje, caso vissem a luz do dia, arriscavam de imediato a ter um processo não fosse alguém conhecer os protagonistas de "O Café dos Filósofos" que, por enquanto, vivem na clandestinidade, na casa do homem que escrevia livros na cabeça, e era vizinho da Patricia Highsmith quando ela vivia na Provence, perto da casa do Larry, que odiava Paris depois de lhe terem roubado a carteira na cidade das luzes.

Rui Luís Lima

Raiz & Utopia - Críticas e alternativas para uma civilização diferente

Rui Luís Lima, 05.08.25

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Raiz & Utopia - Críticas e alternativas para uma civilização diferente
Revista Trimestral
Edição: António José Saraiva, Carlos L. Medeiros, José Baptista.
Centro Nacional de Cultura

A "Raiz e Utopia" foi uma das mais belas aventuras editoriais havidas neste pequeno e provinciano país e apesar de todas os condicionalismos encontrados, foram editados 19 números em nove volumes, porque surgiram alguns números duplos, triplos e até quádruplo, tal era a dificuldade da edição que se estendeu de 1977 a 1981. Recordo-me que li e reli muitos dos artigos, alguns até foram sublinhados, eram outros tempos.

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Foram inúmeros os colaboradores da "Raiz & Utopia" uma revista incontornável na edição em Portugal e por isso mesmo está prometida a sua digitalização e disponibilidade na net por parte de um grupo de investigadores que desde 2014 tem desenvolvido uma bela iniciativa na História das Ideias em Portugal, disponibilizando na net publicações de referência, que podem ser lidas de forma integral aqui!

Rui Luís Lima