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Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Sam Shepard - "Crónicas Americanas"

Rui Luís Lima, 06.01.26

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Sam Shepard
"Crónicas Americanas" / "Motel Chronicles"
Difel

Quando a sua mulher Jessica Lange era entrevistada no seu rancho, Sam Shepard procurava refúgio junto dos estábulos ou partia a cavalo para a colina mais próxima do sol. Este homem, nascido em Fort Sheridan, no estado do Illinois, foi um dos maiores dramaturgos norte-americanos, sendo comparado por muitos a Eugene O’Neil. Para Frank Rich, ele foi um profeta, amante da tecnologia e dos ambientes selvagens, bem patente nos seus contos, poemas, monólogos e peças de teatro.

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"esta gente aqui

já é

a gente

que finge ser"

27/7/81 – Los Angeles/Sam Shepard

Filho de um oficial da aviação, a sua infância, tal como a de Jim Morrison dos Doors, foi invadida pelo sentido nómada a que se encontravam ligados os pais. Ele mesmo referiu numa entrevista que as suas raízes intelectuais foram adquiridas na “cultura-auto” para adolescentes, através das cidades do sul da Califórnia.

A sua obra apresenta no seu interior a nostalgia pelo velho Oeste: as planícies desertas, as águas dos rios frescas e cristalinas, o amor da solidão, o medo, o rock na estrada, os motéis, a família em desagregação, a amizade, os breves encontros e a dor dos sentimentos.

Com mais de quarenta peças escritas, entre as quais “Burried Chield” que obteve o Pulitzer, Sam Shepard acabou por chegar ao cinema. Mas muito antes navegara pelas águas do rock, tocando bateria ao lado de Bob Dylan e dos Molly Modal Rounders. O seu conto “Ritmo”, invadido pelo "rock and roll", é a melhor referência ao movimento sincopado de bateristas como Ginger Baker ou Keith Moon.

Em Portugal, Sam Shepard viu chegarem ao palco as peças “Loucos de Amor” / "Fool For Love" encenada pela primeira vez em S. Francisco a 8 de Fevereiro de 1983 no Magic Theatre e a peça “Coração na Boca” / "Cowboy Mouth", escrita de parceria com a cantora/poetisa Patti Smith, com quem vivia na época.

Sam Shepard e o cinema encontraram-se pela primeira vez em “Deserto de Almas”/”Zabriskie Point” de Michelangelo Antonioni, no qual colaborou como argumentista. No entanto será com “Paris/Texas” de Wim Wenders, um “road-movie” nostálgico, que Sam Shepard irá alcançar a fama no Velho Continente. Os diálogos do encontro de Travis com Jane no "Peep-Show" são dos mais dolorosos e sinceros que alguma vez foram escritos para cinema e Wim Wenders, com a música de Ry Cooder, atingiu o estado-cristalino da sua criatividade.

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"A felicidade

cai

no lado errado

da Sorte

A felicidade

cai

longe das minhas mão.

A felicidade

despenha-se

entre as árvores

toda a gente se queixa."

2//7/81 – San Fernando Valley / Sam Shepard

A estreia de Sam Shepard na Sétima Arte como actor, ocorreu no “cult-movie” de Terrence Malick “Dias do Paraíso”/”Days of Heaven” e mais tarde deu-se o encontro com a sua companheira Jessica Lange no ano de 1982, em “Frances” realizado por Graeme Clifford, que narra a história de Frances Farmer, estrela de cinema cintilante dos anos trinta. Depois Philip Kaufman passou para o écran a epopeia de Tom Wolf “The Right Stuff”/”Os Eleitos”. O desempenho de Sam Shepard nesta película leva a Academia de Hollywood a nomeá-lo para o Oscar do Melhor Secundário, isto num filme em que não havia actores principais.

Entretanto a sua ligação com a actriz Jessica Lange, de quem teve dois filhos, leva-o a interpretar e produzir “Country - A Minha Terra”, reflexo da sua própria vida como fazendeiro e cujo objectivo era alertar os agricultores para a política agrícola nefasta do então presidente Ronald Reagan.

A sua peça “Fool For Love”/ ”Loucos de Amor”, das mais conhecidas internacionalmente, foi adaptada ao cinema por Robert Altman e, melhor do que ninguém, Sam Shepard vestiu a pele do cowboy errante, que regressa à sua amada, uma Kim Basinger sensual e selvagem. Falou-se na altura numa relação escaldante entre ambos, durante as filmagens.

Depois de “Loucos de Amor”, Sam Shepard teve três papéis secundários em películas medianas de reduzido interesse, caso de “Crimes do Coração” / "Crimes of The Heart" de Bruce Beresford, “Quem Chamou a Cegonha” / "Baby Boom" de Charles Sheyer e “Flores de Aço” / "Steel Magnolias" do veterano Herbert Ross.

Entretanto Shepard passou para o outro lado da câmara e realizou e escreveu “Ordem de Execução” / "Far North", exibido em Lisboa apenas durante uma semana, numa sala "deserta" do cinema Amoreiras, e só com referências na imprensa depois da sua saída de cartaz, aliás as referências foram lamentações da crítica, porque ninguém viu a película.

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"desde a relva alta, alta

até à esquina do parque

vejo-te que me estudas

eu vejo-te quando tu não sabes que estou a olhar

e cada olhar que te roubo

deixa-me um dia mais novo

Ultimamente tem sido difícil apanhar-te

ou então sou eu que estou a ficar velho

um dos dois está com certeza a perder"

6/11/81 – Homestead Valley/Sam Shepard

Nos anos noventa do século passado continuou a surgir em papéis secundários em diversos filmes, numa média de três por ano e ainda escreveu e realizou o seu segundo "movie", um "western" intitulado “Silent Tongue”, com Richard Harris, Alan Bates e River Phoenix nos protagonistas... no novo século XXI manteve a média de aparições, sendo de destacar a sua interpretação em “Cercados”/”Black Hawk Down”.

Sam Shepard foi o último dos cowboys, o homem que atravessou os anos sessenta com o rock, a poesia e o teatro no seu alforge; depois, quando desceu do cavalo, descobriu o cinema ao lado do saloon, conquistou a "girl" de “King Kong”, transformando-a na sua companheira para a vida, fazendo dela a mulher que todos admiramos e ele continuou as suas narrativas do velho Oeste com o Sol a Sorrir no Horizonte Feliz, mesmo depois de ter partido nesse ano de 2017.

“Crónicas Americanas” / "Motel Chronicles" reúne poemas e contos escritos com a inevitável originalidade de Sam Shepard, onde as memórias navegam ao sabor da escrita.

Rui Luís Lima

João Miguel Fernandes Jorge / Jorge Molder / Joaquim Manuel Magalhães - "Uma Exposição"

Rui Luís Lima, 05.01.26

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João Miguel Fernandes Jorge / Jorge Molder / Joaquim Manuel Magalhães
"Uma Exposição"
A Regra do Jogo

Em 1980, a editora A Regra do Jogo ofereceu-nos um dos mais belos livros de poesia e fotografia dedicados a um pintor. O seu título era simplesmente “Uma Exposição” e o pintor chamava-se Edward Hooper. O livro de 83 páginas e com uma capa bastante frágil, era dono de belos poemas dedicados à vida e obra desse génio da pintura e os poetas que prestavam assim a sua admiração e homenagem a esta figura incontornável do mundo das artes eram João Miguel Fernandes Jorge e Joaquim Manuel Magalhães a que se juntou o fotógrafo Jorge Molder que, através da sua arte, percorria os caminhos da obra do célebre pintor norte-americano.

Este pequeno, belo e inesquecível livro rapidamente desapareceu das livrarias, mas costumo vê-lo na Feira do Livro de Lisboa, na zona dos pavilhões dos Alfarrabistas. Como depois de o ler diversas vezes o perdi na espuma dos dias, espero reencontrá-lo em breve. Aqui vos deixo um dos poemas que guardo nos meus apontamentos, da autoria de Joaquim Manuel Magalhães.

Rui Luís Lima

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Sunlight in a Cafetaria

Abria o guarda-fatos e tirava

o casaco mais velho e as piores

calças de veludo cor de sombras.

Ia ter contigo. Só o perfume

 

fazia pressentir o coração.

essa frágil ideia que batia

quando me sentava no café

muito antes da hora combinada.

 

As mãos quietas, o rosto debruçado

para o vidro sujo de tabacos

donde ao longe havias de chegar.

 

O chão coberto duma luz magoada,

de papéis amassados, cinzas

que teus pés vinham a calcar.

 

Joaquim Manuel Magalhães

in "Uma Exposição"

Flash Gordon - "Capitão Relâmpago - Piratas do Espaço" - Dan Barry

Rui Luís Lima, 04.01.26

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Flash Gordon
"Capitão Relâmpago - Piratas do Espaço"
Arte: Dan Barry
Argumento: Dan Barry
Mundo de Aventuras nº.s 347 a 358
Ano: 1956

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As aventuras de "Flash Gordon" foram criadas por Alex Raymond, tendo surgido a primeira tira a 7 de Janeiro de 1934 e a primeira "missão" do herói era competir com outra banda desenhada de ficção-científica que tinha como herói Brick Bradford. Posteriormente "Flash Gordon" irá ter dois desenhadores: Dan Barry para as tiras diárias e Marc Raboy e Al Williamson para as páginas dominicais. Os desenhos ousados das personagens femininas marcaram a época, já nos dias de hoje como serão eles avaliados?

Recorde-se que Flash Gordon quando surgiu em Portugal foi baptizado de Capitão Relâmpago.

Rui Luís Lima

Rip Kirby - "Rúben Quirino - A Fortuna do Milionário" - Alex Raymond

Rui Luís Lima, 03.01.26

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Rip Kirby
"Rúben Quirino - A Fortuna do Milionário"
Arte: Alex Raymond
Argumento: Alex Raymond
Mundo de Aventuras nº.s 370 a 385
Ano: 1956

O detective Rip Kirby nasceu em 1946 através da pena do conhecido desenhador Alex Raymond, um nome incontornável na história da banda desenhada e curiosamente os argumentos iniciais foram da autoria de Ward Greene o todo poderoso responsável da famosa Agência "King Features Syndicate", que preferiu permanecer no anonimato. Na época os heróis de banda desenhada em Portugal viam os seus nomes adaptados para português por imperativos da lei e assim Rip Kirby irá ser baptizado de Rúben Quirino!

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Recorde-se que a revista de banda desenhada "Mundo de Aventuras" publicava nesta época as histórias no sistema de "em continuação" e só muitos anos mais tarde passou a publicar bandas desenhadas completas em cada número desta publicação com periodicidade semanal.

Rui Luís Lima

Jorge Lima Barreto - "ROCK/TRIP - música pop e droga"

Rui Luís Lima, 02.01.26

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Jorge Lima Barreto
"ROCK/TRIP - música pop e droga"
Colecção Substância nº.1
Edições RES Limitada

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A leitura deste livro nesse ano de 1975, comprado na livraria Opinião, abriu-me ainda mais os meus horizontes musicais, não só pelos textos de Jorge Lima Barreto, mas também pelas discografias sugeridas no livro, que se revelaram de uma enorme utilidade conduzindo-me a inúmeras descobertas.

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A importância de Jorge Lima Barreto, deve ser sempre recordada, não só pela sua discografia como compositor a solo, ou nos grupos Anarband e Telectu, mas também no seu trabalho como crítico e divulgador, bastando recordar os seus programas de Rádio, sendo o "Musonautas" o meu favorito, mas também esses fabulosos textos que ele escrevia nesse Jornal de contra-cultura que foi "A Memória de Elefante".

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Na década de oitenta do século passado irão surgir mais dois volumes editados pela editora & etc, datados respectivamente de 1982 e 1986. Aqui deixo a uma sugestão de reedição destes três volumes de Jorge Lima Barreto, penso que a própria música agradece!

Rui Luís Lima

Agatha Christie «versus» Hercule Poirot!

Rui Luís Lima, 31.12.25

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Agatha Christie «versus» Hercule Poirot!

Muitas vezes se diz que as palavras são como as cerejas, quanto mais se comem mais se gosta delas e muitas vezes o mesmo sucede com os livros, especialmente quando descobrimos no protagonista alguém que nos seduz e nos leva a querer ler mais sobre ele ou as suas aventuras no universo literário.

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Como sou um ser humano com qualidades e defeitos, também eu tenho o meu herói favorito no universo literário e ele, ao contrário do que se poderia pensar, não é americano, nem francês, mas sim belga apesar de muitas vezes ser visto como “esse maldito francês bisbilhoteiro” ou “franciú” como alguns já lhe chamaram, incomodados com as suas investigações.

É verdade, estou a falar de Monsieu Hercule Poirot, esse genial detective belga criado por Agatha Christie e cujos livros já li e reli inúmeras vezes, para além de devorar com uma certa regularidade as adaptações televisivas que foram feitas das suas aventuras e que tiveram o actor britânico David Suchet, a encarnar o célebre detective (que recentemente escreveu um livro intitulado "Poirot and Me", cuja leitura desde já recomendo vivamente).

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As aventuras do detective Hercule Porot são na verdade a minha saga (um termo muito em voga no sec. XXI) favorita, apesar de ter outras de que também gosto bastante, como é o caso do meu amigo Antrophos, criado por Lawrence Durrell. Mas regressando à minha "saga favorita", direi que ler as aventuras de Hercule Poirot é um prazer verdadeiramente sedutor, embora a escritora Agatha Christie não tivesse um grande amor por ele, apesar de serem os livros que o têm como protagonista os que lhe encheram a conta bancária.

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Agatha Christie preferia Misss Marple a Hercule Poirot e em muitos dos livros se percebe que o enredo foi pensado sem ele e depois, talvez por sugestão do editor, lá o introduziu, porque na verdade são as aventuras de Hercule Poirot os livros mais vendidos de Agatha Christie, que até decidiu matar o famoso detective para ninguém dar continuação às suas aventuras.

Mas a família da escritora não foi da mesma opinião e eis que surge nesse mercado editorial do séc. XXI, onde tudo é permitido, outra “entidade” a escrever novas aventuras de Hercule Poirot. No entanto prefiro ler vezes sem conta as aventuras de Poirot pela mão de Agatha Christie do que escritas por outra pessoa, um dia destes ainda teremos "remakes" literários, a serem mais famosos do que os originais!

Rui Luís Lima

Ingmar Bergman - “Fanny e Alexandre”

Rui Luís Lima, 23.12.25

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Ingmar Bergman
“Fanny e Alexandre”
Assírio & Alvim

“Segundo a tradição, o jantar de Natal tem lugar na cozinha de Héléna, decorada com tapeçarias, Pais Natal, guardanapos de Natal, luzes de Natal e velas feitas em casa. A mesma tradição exige que patrões e criadagem jantem todos juntos, instalando-se cada um à mesa no lugar que quiser. As iguarias estão em exibição, do primeiro ao último prato, nos balcões da cozinha em cima do enorme aparador, e tudo está enfeitado com toalhas coloridas. Cada um serve-se copiosamente e segundo as capacidades dos seus estômagos.”

Ingmar Bergman

“Fanny e Alexandre”

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O cineasta sueco Ingmar Bergman, deixou-nos uma filmografia incontornável mas, de todos os filmes que vi realizados por ele, o meu favorito, que não me canso de rever tanto na versão de cinema como na de televisão, é precisamente “Fanny e Alexandre”, considerado por muitos como o testamento do cineasta. O Natal, essa bela época festiva, revela-se como fundamental na acção deste belo filme de Ingmar Bergman, já que a película se inicia com ele e termina um ano depois com a família novamente reunida em torno da célebre consoada. Recomendamos a leitura deste belo e inesquecível livro, que tem tradução do poeta Armando Silva Carvalho, na edição da Assírio e Alvim. Recordo que anteriormente esta obra literária de Ingmar Bergman foi editada pela Distri.

Faltam 2 dia para o Natal!

Paula e Rui Lima

Aquilino Ribeiro - "Sonho de Uma Noite de Natal"

Rui Luís Lima, 21.12.25

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Aquilino Ribeiro
"Sonho de Uma Noite de Natal"
in "As Mais Belas Histórias de Natal"
Vega

Na noite de consoada a filha, ainda pequena, perguntou à mãe viúva: "- Porque que é que uns são tão ricos e os outros tão pobres?" Manuel da Fonseca oferece-nos um conto repleto de ternura em que as interrogações de uma criança a sua mãe viúva nos conduzem a olhar este triste mundo em que vivemos.

Faltam 4 dias para o Natal!

Paula e Rui Lima

Carlos Malheiro Dias - "Um Conto de Minha Filha"

Rui Luís Lima, 20.12.25

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Carlos Malheiro Dias
"Um Conto de Minha Filha"
in "As Mais Belas Histórias de Natal"
Vega

Carlos Malheiro Dias oferece-nos neste conto de Natal uma viagem pelo quotidiano de José e Maria, enquanto o Menino Jesus dorme, mas na sua mão fechada vai-se dar o mais belo milagre de Natal!

Faltam 5 dias para o Natal!

Paula e Rui Lima