Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Lauro António - "O Natal no Cinema"

Rui Luís Lima, 01.12.25

o natal no cinema.jpg

Lauro António
"O Natal no Cinema"
Páginas: 64
Colecção: Cine Clube nº.20

Durante este mês iremos deixar algumas sugestões de leitura para este Natal, porque como sabemos os livros não podem faltar neste Natal que se aproxima.

O cineasta e crítico de cinema Lauro António (1942 - 2022) dirigiu uma colecção de livros de cinema escritos para acompanhar os ciclos de cinema que tinham como palco o Auditório da Biblioteca Museu República e Resistência e este número vinte oferece-nos um ensaio sobre o Natal no Cinema, assim como as críticas aos filmes exibidos no ciclo de cinema e ainda uma extensa filmografia sobre o Natal no Cinema e no Audiovisual, sempre muito útil para se descobrirem filmes que se encontram esquecidos e que bem merecem ser recordados neste Natal que se aproxima.

Faltam 24 dias para o Natal!.

Paula e Rui Lima

Margarida Acciaiuoli - "Os Cinemas de Lisboa - Um fenómeno urbano do século XX"

Rui Luís Lima, 28.11.25

os cinemas de Lisboa.jpg

Margarida Acciaiuoli
"Os Cinemas de Lisboa - Um fenómeno urbano do século XX"
Páginas: 384
Bizâncio

Para o cinéfilo, que é uma das áreas em que me movimento, o nome de Manuel Félix Ribeiro é uma referência e o seu livro intitulado "Os Mais Antigos de Cinemas de Lisboa", uma obra incontornável sobre esses tempos em que o público fascinado descobria a magia das imagens animadas.

No entanto Margarida Acciaiuoli oferece-nos em "Os Cinemas de Lisboa - Um fenómeno urbano do século XX", uma leitura que se expande por outras áreas, como o urbanismo e a arquitectura, no contexto das salas de cinema, nunca esquecendo a fascinante história do surgimento dessa arte que ficou classificada como sétima arte.

félix ribeiro.jpg

Por esta razão a sua leitura é fundamental e um belo contributo para conhecermos a história do cinema na capital e como ainda sou desse tempo em que existiam longas filhas para se comprar bilhetes para as salas de cinema, com uns senhores afoitos a rondarem os espectadores aliciando-os com bilhetes a um preço bem acima do praticado nas bilheteiras e que na gíria popular eram denominados os bilhetes da "candonga", recordo-me aliás que por vezes me socorri deles, quando o letreiro de lotação esgotada era colocado na bilheteira, tal era o desejo de ver um determinado filme.

A leitura deste livro de Margarida Acciaiuoli revela-se um daqueles pequenos prazeres que nunca mais nos fogem da memória e foi isso precisamente que sucedeu comigo, especialmente pelo facto de ter frequentado muitas das salas que são retratadas neste livro incontornável sobre as salas de cinema e que figura muito bem numa estante de "o cinema nos livros" ao lado do livro de Manuel Félix Ribeiro.

Rui Luís Lima

Fabrice Luchini - “Comédie française – Ça a débuté comme ça…"

Rui Luís Lima, 25.11.25

fabrice luchini.jpg

Fabrice Luchini
“Comédie française – Ça a débuté comme ça…"
Páginas: 246
Flammarion

Fabrice Luchini é um actor que não necessita de apresentação para o cinéfilo, mas este seu primeiro livro revela-nos acima de tudo o homem, que aos 14 anos deixou de estudar e foi aprender a ser cabeleireiro, a profissão da mãe, e por ali andou até aos 21, pelo caminho tornou-se autodidacta e sentiu o apelo pela cultura, lendo e relendo, o que descobria e o que lhe sugeriam. E se a namorada lhe deu a descobrir Nietzsche, já a leitura de Céline e Proust levaram-no até à Literatura e Rimbaud à Poesia, enquanto Eric Rohmer lhe iria abri as portas do cinema.

Este livro verdadeiramente fascinante de Fabrice Luchini possui o condão de ao lermos cada página, escutarmos de viva voz o seu autor, porque ele escreve como fala nas entrevistas, ou seja sempre contracorrente, dizendo o que pensa dos mais variados assuntos e nada politicamente correcto, fugindo desta ideologia dominante do século XXI, que sufoca a diversidade.

Mas o mais fascinante dos capítulos deste livro é o encontro de Fabrice Luchine com Rolland Barthes, que como ele escreveu estava para sua geração, como o Harry Potter se encontra para outra, mais recente. E se a admiração por Barthes era enorme, seria após o desastre crítico de “Perceval, Le Gaulois” de Eric Rohmer, no qual Fabrice Luchini foi o protagonista, que a defesa do filme por Rolland Barthes, publicada na imprensa escrita, o levaria a ir a casa de Barthes, para agradecer as suas palavras, mas a porteira, não o deixou entrar e disse-lhe que se quisesse falar com ele que fosse nesse domingo à Sorbonne assistir ao seu Curso e ele assim fez.

Eram centenas a escutar Rolland Barthes, oriundos das mais diversas profissões nessa manhã e quando ele conseguiu chegar “à fala”, o Mestre reconheceu-o do filme, para sua surpresa, e marcou um encontro com ele na sua casa, para conversarem e seria nesse encontro que Fabrice Luchini em casa de Rolland Barthes, após comentar a existência de uma boina e o seu significado, que viria a descobrir a origem basca de Roland Barthes.

Estamos perante um desses livros, que se devoram ao longo de uma noite, como fazia François Truffaut na sua juventude, e quando terminamos a leitura de “Comedie française – Ça a débuté comme ça…”, não só descobrimos um actor fascinante, mas também um escritor, no verdadeiro sentido da palavra!

Rui Luís Lima

Baptista-Bastos - "O Filme e o Realismo"

Rui Luís Lima, 23.11.25

o filme e o realismo.jpg

Baptista-Bastos
"O Filme e o Realismo"
Páginas: 204
Arcádia

Foi na leitura de jornais que descobri o nome de Baptista-Bastos (1934 - 2017), mais tarde fui encontrá-lo no filme realizado por Fernando Lopes intitulado simplesmente "Belarmino", mas quando li o conto "O Retirante" publicado no livro "Coisas" da editora & etc de Vítor Silva Tavares, descobri o escritor, num conto surrealista, que me ficou para sempre na memória.

baptista-bastos.jpg

Baptista Bastos neste livro dedicado ao cinema. editado pela Arcádia, ofeece-nos um interessante livro sobre o Realismo e o Cinema, com uma escrita que nos oferece um belo retrato do período em que o denominado cinema realista dava cartas no interior da sétima arte. Estamos perante uma obra incontornável na edição de livros de cinema em Portugal, que bem merece ser descoberta.

Rui Luís Lima

Darwin Porter - "Brando Mas Pouco" / "Brando unziped"

Rui Luís Lima, 17.11.25

darwin potter.jpg

Darwin Porter
"Brando Mas Pouco" / "Brando unziped"
Páginas: 768
Pedra da Lua

Esse género literário que é a biografia teve sempre, ao longo dos anos, os seus defensores e os seus detractores, e depois há sempre as biografias apadrinhadas ou autorizadas pelos próprios biografados, como também existem as biografias não autorizadas e por vezes proibidas após uma vitória em tribunal contra o autor do livro, que por vezes até se trata de um “Ghost Writer”, assim como esse outro subgénero intitulado biografias romanceadas, como fez com sucesso a escritora norte-americana Joyce Carol Oates, quando escreveu “Blondie”, sobre Marilyn Monroe e onde Marlon Brando surge sob o nome de Anjo Negro.

marlon brando.jpg

Darwin Porter escreve “Brando mas Pouco” sobre esse actor incontornável chamado Marlon Brando. Esta biografia pretende não só retratar a vida do conhecido actor do método, um dos eleitos de Elia Kazan, como muitos estão recordados, mas também oferecer ao leitor um retrato da Hollywood dos tempos áureos de Marlon Brando, essa mesma Hollywood que Darwin Porter afirma ter conhecido muito bem.

Como não podia deixar de ser fomos obrigados a comparar esta biografia da autoria de Darwin Porter com aquela que foi escrita pelo próprio Marlon Brando e o jornalista Robert Lindsey intitulada “Canções que a Minha Mãe me Ensinou” e à medida que liamos “Brando mas Pouco” a leitura do livro revelava-se não surpreendente mas sim bastante penosa e convém salientar que este livro só viu a luz do dia após a morte do actor.

darwin porter.jpg

Em “Brando mas Pouco”, Darwin Porter pretende não só escrever sobre o actor mas também sobre o lado menos visível de Hollywood, esse lado nocturno muito pouco luminoso por onde nasciam as célebres festas privadas, onde os eleitos eram escolhidos a dedo. Pretendendo ser um conhecedor desse universo, o autor do livro confessa ter conversado com pessoas que conviveram directamente com Marlon Brando, desde colegas de profissão, até aos cineastas que o dirigiram, passando pelo círculo de amigos mas próximo.

city of netes.jpg

Mas se compararmos “Brando mas Pouco” com o fabuloso livro de Otto Friedrich, “City of Nets” / "A Cidade das Redes", percebemos que este último retrata Hollywood de uma forma incisiva, bem documentada, com humor e tristeza, e até sangue, suor e lágrimas, ao contrário do registo optado por Darwin Porter, que falha redondamente ao optar por um tom por vezes escabroso, vulgarizando o calão como linguagem, elegendo como cruzada a divulgação das tendências sexuais do “Planeta Hollywood” desses anos de ouro, referindo nomes que muitas vezes deixam incrédulo o mais comum dos leitores.

elleanor coppola.jpg

Ao longo da leitura de “Brando mas Pouco”, Darwin Porter nunca fala do melhor amigo de Marlon Brando, o actor Jack Nicholson, o que deixa logo o leitor mais atento destas “coisas de Hollywood” bastante reticente, para além de apenas dedicar 15 linhas do livro para nos falar do trabalho do actor na película “Apocalipse Now” de Francis Ford Coppola (convém dizer que Eleonor Coppola, a esposa do cineasta, dedica mais linhas a Marlon Brando no seu livro “Notes on the Making of Apocalipse Now”), mas Porter depois informa-nos que possui material sobre Marlon Brando que dava para escrever mais dez livros.

marlon brando livro.jpg

Qualquer cinéfilo atento às vidas da capital do cinema sabe que por ali não moram propriamente “anjos” e que a vida familiar de Marlon Brando foi bastante conturbada e a sua carreira repleta de sobressaltos, mas ler este livro da autoria de Darwin Porter revelou-se uma leitura bastante penosa, deixando-me incrédulo muitas vezes com o que lia. Se o leitor destas linhas pretende ler uma biografia desse enorme actor de Hollywood, um dos melhores representantes dessa arte denominada “o método”, recomendamos vivamente o livro “Canções que a Minha Mãe me Ensinou”, escrito a duas mãos por Marlon Brando e Robert Lindsey e depois temos sempre esses filmes inesquecíveis que Marlon Brando nos deixou e onde nos revela todo o seu talento, sugiro que comecem pelo genial “Julio César”/ “Julius Caesar” de Joseph L. Mankiewicz.

Rui Luís Lima

“José Fonseca e Costa – Um Africano Sedutor” - Jorge Leitão Ramos

Rui Luís Lima, 11.11.25

josé fonseca e costa.jpg

“José Fonseca e Costa – Um Africano Sedutor”

Jorge Leitão Ramos
Páginas: 276
Guerra e Paz/SPAutores

kilas o mau da fita.jpg

Foi na minha adolescência que comecei a ler as críticas de cinema de Jorge Leitão Ramos, no Diário de Lisboa e mais tarde no Semanário Expresso, um crítico que tem dedicado ao longo da sua vida uma enorme atenção à História do Cinema Português, basta aliás recordar os seus famosos Dicionários de Cinema Português, editados pela Editorial Caminho, que se têm revelado obras incontornáveis no estudo do Cinema Português.

sem sombra de pecado.jpg

José Fonseca e Costa é um dos mais fascinantes cineastas do denominado Cinema Novo, que nunca se quis filiar nas diversas correntes que se foram criando ao longo dos anos, optando por ser um verdadeiro "outsider", construindo uma obra cinematográfica que, ao longo dos anos, conseguiu marcar esteticamente o gosto do cineasta, ao mesmo tempo que conquistava o espectador de cinema, obtendo quase sempre excelentes resultados de bilheteira, apesar de um ou outro filme não terem atingido o objectivo pretendido, como viria a suceder com “Os Cornos de Cronos”, a que se deve a figura desadequada do protagonista, que aliás manteve uma relação bastante complexa com o cineasta, ao longo da rodagem da película. Mas se falarmos em “Kilas, o Mau da Fita” e Mário Viegas, “Sem Sombra de Pecado” e Victoria Abril, “Balada da Praia dos Cães” e Raul Solnado num papel dramático, ou “Cinco Dias, Cinco Noites” com um Vitor Norte fabuloso, qualquer espectador de cinema conhece e gostou de um destes filmes que terminei de mencionar, que são bem representativos do saber deste cineasta nascido em Moçambique e chamado José Fonseca e Costa.

jorge leitão Ramos.jpg

Foi José Jorge Letria que lançou o convite através da SPAutores a Jorge Leitão Ramos para escrever uma biografia sobre José Fonseca e Costa e, aceite o repto, o crítico falou com o cineasta expondo as directrizes do que viria a ser este livro incontornável, sobre um dos nomes mais importantes do Cinema Novo e assim foram encontrando-se crítico e cineasta, conversando e recordando uma amizade estabelecida à longa data. Mas se o leitor pensa estar perante uma simples biografia de um cineasta ou um desses livros que abordam a filmografia de um realizador está profundamente enganado, porque Jorge Leitão Ramos oferece-nos um verdadeiro romance sobre a vida e obra de José Fonseca e Costa.

cinco dias cinco noites.jpg

Em “José Fonseca e Costa – Um Africano Sedutor”, acompanhamos a par e passo a vida do cineasta, desde a forma como veio estudar para o Continente e a ida para a província com a irmã, ficando ambos chocados com o frio da serra em oposição ao calor africano, vendo-se a família obrigada a optar por os levar para Lisboa, onde o clima era mais ameno, mas também toda a sua actividade política no denominado Movimento Anticolonialista e a forma como enganava as autoridades de então, para anos mais tarde descobrir que numa passagem por Angola para encontrar velhos amigos, não iria poder sair do avião oriundo de Moçambique. Mas também temos o cinema e as célebres lutas de então, nos famosos planos de produção em busca de uma oportunidade e a afirmação de um homem que sabia o que queria e lutava para o conseguir, terminando por realizar alguns dos filmes mais marcantes do Cinema Português do século XX. Infelizmente, José Fonseca e Costa deixou-nos pouco tempo antes deste livro de Jorge Leitão Ramos estar terminado, mas a leitura de “José Fonseca e Costa – Um Africano Sedutor” faz com que ele e o seu cinema permaneçam bem vivos no interior da Sétima Arte deste país.

Rui Luís Lima

João Bénard da Costa - “Escritos Sobre Cinema - Tomo 1 - Volume 1”

Rui Luís Lima, 29.10.25

escritos sobre cinema.jpg

João Bénard da Costa
“Escritos Sobre Cinema - Tomo 1 - Volume 1”
Páginas: 1298
Cinemateca Portuguesa

João Bénard da Costa, para diversas gerações de cinéfilos entre a qual me incluo, é um nome incontornável da crítica de cinema, ultrapassando as fronteiras deste nosso pequeno país. Ao longo da sua vida este homem amou e escreveu sobre cinema de forma única, sempre apaixonante e com uma cultura que deixa qualquer leitor dos seus textos simplesmente fascinado pela sua escrita.

joão bénard da costa.jpg

Depois, temos a sua actividade como programador de cinema, desde esses tempos em que esteve à frente da Fundação Calouste Gulbenkian e mais tarde na Cinemateca Portuguesa onde, ao longo dos anos, deixou a sua marca inconfundível numa programação, que confesso ter saudades, pois foi ali que os meus horizontes se abriram para a História da Sétima Arte.

Ao longo dos anos, os seus textos foram surgindo nos diversos catálogos que foram editados, tanto pela Gulbenkian, como pela Cinemateca e muitos deles hoje estão esgotados, para além das famosas folhas que eram distribuídas antes das sessões de cinema, que eram verdadeiros tratados sobre a Arte do Cinema. E seria Pedro Mexia que, quando se encontrava à frente da Cinemateca, como Director Interino, deu luz verde à ideia de se publicar em obra escrita os famosos textos de João Bénard da Costa, que assim voltaram ao convívio dos amantes do cinema através deste primeiro volume intitulado “Escritos Sobre Cinema”.

o passado e o presente.jpg

(João Bénard da Costa também surgiu como actor no cinema usando o pseudónimo de Duarte d'Almeida. Na imagem no filme "O Passado e o Presente" realizado por Manoel de Oliveira )

Esta obra monumental no seu plano de publicação, reúne todos os escritos de João Bénard da Costa, para a Gulbenkian, como para a Cinemateca, incluindo as célebres folhinhas e convém recordar que muitas delas foram escritas apenas para sessões na Gulbenkian ou seja, para muitos leitores será a primeira vez que irão tomar contacto com elas. Mesmo que tenha todos os catálogos da Cinemateca (como é o meu caso) e da Gulbenkian (dedicados ao cinema), estes “Escritos Sobre Cinema” revelam-se uma mais-valia, pois oferecem-nos belas surpresas, pela forma como João Bénard da Costa nos escreve sobre essa Arte maior que é o Cinema.

escritos sobre cinema1.jpg

A obra foi dividida em dois Tomos, constituídos por diversos volumes, o primeiro tomo dedicado aos cineastas, em forma de dicionário e o segundo tomo dedicado aos actores, cinematografias, etc. Estamos assim perante uma obra incontornável e deveras importante para a História do Cinema em Portugal. Neste primeiro volume do tomo 1 destaco os cineastas Ingmar Bergman, Luis Buñuel (recorde-se que Bénard da Costa assinou todas as folhas das sessões dedicadas ao cineasta espanhol), Franz Borzage, Frank Capra e Charles Chaplin, tendo este último por vezes três textos para o mesmo filme, que completam de forma precisa o pensamento de Bénard da Costa através do tempo, depois temos questões bem curiosas levantadas por Bénard da Costa, como a quem se deve dar a autoria/realização de “A Canção de Lisboa”. Leiam o texto, que não vão dar o tempo como perdido!

Mas se esta edição é um acontecimento, gostaria de referir que foi pena os editores responsáveis por ela, no que diz respeito aos textos das célebres “folhinhas”, não terem transcrito a ficha respeitante aos filmes que constava delas, de qualquer modo é de saudar esta edição que reúne os textos de cinema de João Bénard da Costa, escritos para a Cinemateca e Fundação Calouste Gulbenkian durante a sua actividade como responsável das duas Instituições na área do Cinema.

Rui Luís Lima

"501 Must See Movies"

Rui Luís Lima, 07.10.25

501 must see movies.jpg

"501 Must See Movies"
Páginas: 544
Bounty Books

O título " 501 Must See Movies" diz tudo! 501 filmes que deve ver antes de morrer apresentados de forma temática: acção/aventura & épicos; comédia; drama; terror; musical; romance; ficção-científica & fantasia; triller; guerra e western. Os textos são da responsabilidade de: Chris Darke, Ann Lloyd, Cara Frost.Sharatt, Rob Hill, e Ronald Bergan. E nunca é demais dizer que gostamos muito da senhora que surge na capa em grande plano: Audrey Hepburn!

Rui Luís Lima

"100 Dias, 100 Filmes" - Vários Autores

Rui Luís Lima, 04.10.25

100 filmes.jpg

"100 Dias, 100 Filmes"
Páginas: 400
Cinemateca Portuguesa
1994

100 dias.jpg

Um dos mais belos catálogos de cinema editados pela Cinemateca Portuguesa surgiu aquando do Ciclo de Cinema "100 Dias, 100 Filmes" integrado no programa "Lisboa 94 - Capital Europeia da Cultura", realizado de 1 de Março de 1994 a 8 de Junho de 1994 sendo as sessões de cinema divididas entre o cinema Tivoli e a sala da Cinemateca. Recorde-se que o filme de estreia do ciclo foi o célebre "O Lepardo" de Luchino Visconti numa cópia restaurada em "cor de luxe" em italiano e na verdade a maioria dos espectadores, tal como eu apenas conheciam a versão americana em "technicolor", que vi no extinto cinema Castil e que era a que circulava nas reposições que por vezes surgiam do mais famoso filme do cineasta italiano. Sendo um caálogo profundamente ilustrado e encadernado, possui textos de João Bénard da Costa, Manuel Cintra Ferreira, Luís de Pina, M. S. Fonseca, José Manuel Costa e João Lopes, que abordam todos os filmes que passaram neste ciclo de cinema, par além desse célebre jogo dos melhores filmes, em que pariciparam diversos nomes ligados à sétima Arte, que escolheram os seus 100 melhores filmes da História do Cinema. Recorde-se que na capa surgia a imagem de Anna Karina no célebre filme " Vivre Sa Vie" de Jean-Luc Godard.

Rui Luís Lima

"100 Anos de Cinema em Portugal" - Vários Autores

Rui Luís Lima, 26.09.25

100 anos d cinema em portugal.jpg

"100 Anos de Cinema em Portugal"
18 de Junho de 1896 - 18 de Junho de 1996
Páginas: 36
Cinemateca Portuguesa

Textos de:
João Bénard da Costa - "18 de Junho de 1896: o certo e o incerto"
José Manuel Costa - "Cem Anos de Cinema em Portugal: o estado do património"
Filipe Boavida - "Sobre o restauro de o Destino"

Um interessante pequeno livro sobre a História do Cinema Português, que no dia distante de 18 Junho de 1896 viu Aurélio da Paz dos Reis a inspirar-se nos irmãos Lumière e realizar o filme "Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança", seguindo assim os passos dos irmãos Lumière que não acreditavam no futuro do Animatógrafo, terminando por o tempo os desmentir com a magia que este provocou. O que se seguiu todos sabemos, passo a passo foi nascendo o cinema, com D. W. Griffith que criou a linguagem cinematográfica e Georges Méliès que, por mero acaso, criou os efeitos especiais, terminando ambos a morrerem esquecidos por todos numa época em que o Cinema arrastava multidões. Confesso que lamento como nos dias de hoje os criadores do cinema mudo, se encontram esquecidos e este pequeno livro é uma simples pérola que nos convida a conhecer como nasceu o cinema em Portugal, tendo saído quando se comemorava o seu centenário.

Rui Luís Lima