Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

"Alix, o Intrépido" / "Alix l'intrepide" - Jacques Martin

Rui Luís Lima, 30.11.25

alix.jpg

Alix
"Alix, o Intrépido" / "Alix l'intrepide"
Arte: Jacques Martin
Argumento: Jacques Martin
Álbum: Asa / Público

Alix, o jovem romano, filho de gauleses que combateram ao lado de César, nasceu da paixão de Jacques Martin (1921-2010) pelo Mundo Antigo, tendo surgido pela primeira vez nas páginas da Revista Tintin em 16 de Setembro de 1949, embora só fosse publicado em álbum em 1956.

alix1.jpg

A forma detalhada como Jacques Martin desenvolveu as aventuras deste seu herói, recorde-se que ele assina tanto o argumento como o desenho, revela bem o seu interessa pela História Antiga, que irá tornar esta banda desenhada um caso de referência e estudo para além do universo da 9ª Arte e que em boa hora foi reeditada através da dupla constituída pela editora Asa e o jornal “Público”, que tem desenvolvido um conjunto de edições que enriquecem o património editorial da 9ª Arte.

Rui Luís Lima

"Astérix entre os Belgas" - Albert Uderzo / René Goscinny

Rui Luís Lima, 29.11.25

astérix.jpg

Astérix
"Astérix entre os Belgas"
Argumento: René Goscinny
Arte: Albert Uderzo
Asa

Estamos perante a última aventura de Astérix escrita por René Goscinny, que viria a falecer durante a feitura de "Astérix Entre os Belgas", o 24º álbum da popular série de banda desenhada e onde ficaremos a saber como nasceu o popular prato das batatas fritas com mexilhão, para além de encontrarmos em terras belgas os famosos Dupond e Dupont (personagens das aventuras de Tintin, criados por Hergé) e claro um estafeta (com os traços de Eddy Merckx) muito importante para os temíveis guerreiros belgas, que irão defrontar os romanos durante uma competição com os nossos amigos gauleses, para descobrirem quem são os mais heróicos combatentes segundo a opinião de Júlio César que virá a terreiro como "árbitro", com as suas legiões pouco mortíferas.

Rui Luís Lima

Margarida Acciaiuoli - "Os Cinemas de Lisboa - Um fenómeno urbano do século XX"

Rui Luís Lima, 28.11.25

os cinemas de Lisboa.jpg

Margarida Acciaiuoli
"Os Cinemas de Lisboa - Um fenómeno urbano do século XX"
Páginas: 384
Bizâncio

Para o cinéfilo, que é uma das áreas em que me movimento, o nome de Manuel Félix Ribeiro é uma referência e o seu livro intitulado "Os Mais Antigos de Cinemas de Lisboa", uma obra incontornável sobre esses tempos em que o público fascinado descobria a magia das imagens animadas.

No entanto Margarida Acciaiuoli oferece-nos em "Os Cinemas de Lisboa - Um fenómeno urbano do século XX", uma leitura que se expande por outras áreas, como o urbanismo e a arquitectura, no contexto das salas de cinema, nunca esquecendo a fascinante história do surgimento dessa arte que ficou classificada como sétima arte.

félix ribeiro.jpg

Por esta razão a sua leitura é fundamental e um belo contributo para conhecermos a história do cinema na capital e como ainda sou desse tempo em que existiam longas filhas para se comprar bilhetes para as salas de cinema, com uns senhores afoitos a rondarem os espectadores aliciando-os com bilhetes a um preço bem acima do praticado nas bilheteiras e que na gíria popular eram denominados os bilhetes da "candonga", recordo-me aliás que por vezes me socorri deles, quando o letreiro de lotação esgotada era colocado na bilheteira, tal era o desejo de ver um determinado filme.

A leitura deste livro de Margarida Acciaiuoli revela-se um daqueles pequenos prazeres que nunca mais nos fogem da memória e foi isso precisamente que sucedeu comigo, especialmente pelo facto de ter frequentado muitas das salas que são retratadas neste livro incontornável sobre as salas de cinema e que figura muito bem numa estante de "o cinema nos livros" ao lado do livro de Manuel Félix Ribeiro.

Rui Luís Lima

Tex Taylor - "Homens Sem Medo"

Rui Luís Lima, 27.11.25

tex taylor.jpg

Tex Taylor
(Mario Calero Montejano)
"Homens Sem Medo" / "El Espiritu del 76"
Colecção Bisonte nº.75
Páginas: 128
Agência Portuguesa de Revistas

Nesta viagem que decidimos fazer pela denominada literatura popular, oriunda de Espanha e não só e que encheu os quiosques e tabacarias do nosso país, nas décadas de 50 60/70 do século XX, descobrimos que Tex Taylor (não confundir com a personagem da banda desenhada) é um pseudónimo do escritor Mario Calero Montejano e este volume da “Colecção Bisonte”, intitulado “Homens Sem Medo” / “El Espiritu del 76”, editado numa das mais populares colecções de "western" editadas no nosso país, pela Agência Portuguesa de Revistas, aborda a luta pela independência dos colonos americanos, contra a ditadura económica das autoridades inglesas, tendo tudo começado com o célebre imposto do chá, que iria despoletar nas colónias o grito de revolta contra o Rei.

Este livro de Mario Calero Montejano , que assinava os seus trabalhos como Tex Taylor (para contornar a censura de Franco) encontra-se bem alicerçado em factos históricos, ao mesmo tempo que revela um interessante sentido da narrativa, a que não falta o romance. Já a edição portuguesa possui a curiosidade de reproduzir a capa original e de o título da colecção portuguesa ser o mesmo da edição espanhola, quanto ao preço era de 8$00.

Eram outros tempos, mas na verdade este género literário tinha uma legião de leitores e ao contrário do que se possa pensar, nestas décadas era a literatura popular oriunda de Espanha que tinha mais livros editados no nosso país, como revelou um estudo publicado recentemente. Em breve iremos escrever sobre outros autores e colecções que bem merecem não cair no esquecimento, apesar de todas elas terem desaparecido. A memória dos livros merece não se esquecer de todos os géneros de literatura publicados entre nós, recordo que estes livros já só se encontram nos alfarrabistas, estando ausentes das livrarias, apesar de ainda navegarem na net.

Rui Luís Lima

Michel Vaillant - “O Circuito do Medo” - Jean Graton

Rui Luís Lima, 26.11.25

o circxuito do meedo.jpg

Michel Vaillant
“O Circuito do Medo” / "Le circuit de la peur"
Arte: Jean Graton
Argumento: Jean Graton
Páginas: 64
Asa/Público

"O Circuito do Medo" / “Le circuit de la peur” foi a terceiro álbum criado por Jean Graton para o seu herói Michel Vaillant, que irá surgir nas páginas da revista Tintin entre 7 de Janeiro e 5 de Agosto de 1959. Esta aventura do célebre piloto tem a particularidade de ele ir integrar uma equipa europeia de automobilismo, que irá competir com uma equipa americana, onde se encontra o seu amigo Steve Warson, e uma equipa dos então denominados países de Leste (também conhecidos nesses anos como “da cortina de ferro”), onde voltamos a encontrar o piloto soviético Nicolas Narkine, que tínhamos conhecido na aventura anterior de Michel Vaillant, intitulada “O Piloto Sem Rosto”.

michel vaillant.jpg

A referida competição será constituída por três provas bem diferentes, a começar nas 12 Horas de Sebring, na América, seguindo-se um Rali em Espanha e a terminar temos uma prova de Fórmula 1 na Polónia. Estávamos ainda em plena Guerra Fria, será que é possível o tão desejado desanuviamento entre as super-potências, utilizando o desporto ou vão ser as pistas um novo palco do eterno duelo?

Jean Graton criou, mais uma vez, uma banda desenhada com o seu herói Michel Vaillant, que bem merece ser (re)descoberta nos dias de hoje!

Rui Luís Lima

Fabrice Luchini - “Comédie française – Ça a débuté comme ça…"

Rui Luís Lima, 25.11.25

fabrice luchini.jpg

Fabrice Luchini
“Comédie française – Ça a débuté comme ça…"
Páginas: 246
Flammarion

Fabrice Luchini é um actor que não necessita de apresentação para o cinéfilo, mas este seu primeiro livro revela-nos acima de tudo o homem, que aos 14 anos deixou de estudar e foi aprender a ser cabeleireiro, a profissão da mãe, e por ali andou até aos 21, pelo caminho tornou-se autodidacta e sentiu o apelo pela cultura, lendo e relendo, o que descobria e o que lhe sugeriam. E se a namorada lhe deu a descobrir Nietzsche, já a leitura de Céline e Proust levaram-no até à Literatura e Rimbaud à Poesia, enquanto Eric Rohmer lhe iria abri as portas do cinema.

Este livro verdadeiramente fascinante de Fabrice Luchini possui o condão de ao lermos cada página, escutarmos de viva voz o seu autor, porque ele escreve como fala nas entrevistas, ou seja sempre contracorrente, dizendo o que pensa dos mais variados assuntos e nada politicamente correcto, fugindo desta ideologia dominante do século XXI, que sufoca a diversidade.

Mas o mais fascinante dos capítulos deste livro é o encontro de Fabrice Luchine com Rolland Barthes, que como ele escreveu estava para sua geração, como o Harry Potter se encontra para outra, mais recente. E se a admiração por Barthes era enorme, seria após o desastre crítico de “Perceval, Le Gaulois” de Eric Rohmer, no qual Fabrice Luchini foi o protagonista, que a defesa do filme por Rolland Barthes, publicada na imprensa escrita, o levaria a ir a casa de Barthes, para agradecer as suas palavras, mas a porteira, não o deixou entrar e disse-lhe que se quisesse falar com ele que fosse nesse domingo à Sorbonne assistir ao seu Curso e ele assim fez.

Eram centenas a escutar Rolland Barthes, oriundos das mais diversas profissões nessa manhã e quando ele conseguiu chegar “à fala”, o Mestre reconheceu-o do filme, para sua surpresa, e marcou um encontro com ele na sua casa, para conversarem e seria nesse encontro que Fabrice Luchini em casa de Rolland Barthes, após comentar a existência de uma boina e o seu significado, que viria a descobrir a origem basca de Roland Barthes.

Estamos perante um desses livros, que se devoram ao longo de uma noite, como fazia François Truffaut na sua juventude, e quando terminamos a leitura de “Comedie française – Ça a débuté comme ça…”, não só descobrimos um actor fascinante, mas também um escritor, no verdadeiro sentido da palavra!

Rui Luís Lima

Joe Gores- “Hammett”

Rui Luís Lima, 24.11.25

jhammett.jpg

Joe Gores
“Hammett”
A Regra do Jogo

Tal como Dashiell Hammett, também Joe Gores exerceu a actividade de detective em S. Francisco, antes de se dedicar à escrita, revelando-se bem cedo como um admirador desse célebre escritor norte-americano, que revolucionou o romance policial e desde cedo ficou na lista negra do temível J. Edgar Hoover.

hammett.jpg

Joe Gores escreveu “Hammett” em 1976 e, alguns anos mais tarde, o romance irá despertar o interesse de Wim Wenders que irá realizar o filme, tendo em Frederick Forrest um perfeito Dashiell Hammett. Mas infelizmente a película foi rodada no período mais conturbado da Zoetroppe Films de Francis Ford Coppola, que se encontrava a trabalhar em “One From The Heart” / “Do Fundo do Coração”, com Frederick Forrest a participar nos dois filmes como protagonista.  Coppola não gostava do que via nas “rushes” da película de Wim Wenders e decidiu remontar o filme, terminando por nunca sabermos o que pertence a um e a outro, embora o resultado final seja bem positivo.

hammett movie.jpg

Já o livro de Joe Gores (que nos deixou em 2011, precisamente 50 anos depois de Hammett) oferece-nos uma viagem pelo interior do universo de Dashiell Hammett, desde a forma como abordava as suas "short-stories" e romances, passando pela sua actividade como detective, até ao seu relacionamento com as mulheres. “Hammett” é muito mais que um simples romance policial, porque por aqui passam afluentes literários que conduzem o romance ao grande oceano literário.

humprey bogart.jpg

A admiração de Joe Gores por Dashiel Hammett irá conduzir a que venha a escrever em 2009 uma “prequela” do famoso “O Falcão de Malta” / “The Maltese Falcon”, intitulada “Spade & Archer”. Recorde-se que o "Op" de que fala Hammett, no excerto que reproduzimos, irá servir de modelo ao detective Sam Spade, que foi protagonizado no cinema por Humphrey Bogart.

Rui Luís Lima

joe gores.jpg

“Num gesto de impaciência, Dashiell Hammett atirou para o lado o "Black Mask" de Dezembro de 1927. Precisava de uma nova complicação, uma outra cena que mostrasse o Op a fazer aquecer aquilo em Poisonville, para que as quatro novelas publicadas pudessem funcionar como romance. E como o livro, intitulado Ceifa Vermelha, já estava programado para publicação, tinha de despachar-se a escrever as cenas suplementares.

Desatou a andar de um lado para o outro no pequeno living atulhado. E se…não, não ía dar. Mas…

Sim, claro. Talvez um combate de boxe. Boa. Para aí numa barraca de feira ou coisa assim, fora da cidade. Mas depois, como fazer do Op o catalisador da coisa…

Hammett parou para consultar o relógio de pulso. Ainda dava para ir à Steiner Street buscar uma entrada para o combate da noite no Winterland. Abrira há pouco tempo, ainda nem conhecia aquilo por dentro. Portanto, por que não? Era capaz de ficar com umas ideias com que pudesse trabalhar na Ceifa Vermelha na sessão de escrita dessa noite.”

Joe Gores

in “Hammett”

Baptista-Bastos - "O Filme e o Realismo"

Rui Luís Lima, 23.11.25

o filme e o realismo.jpg

Baptista-Bastos
"O Filme e o Realismo"
Páginas: 204
Arcádia

Foi na leitura de jornais que descobri o nome de Baptista-Bastos (1934 - 2017), mais tarde fui encontrá-lo no filme realizado por Fernando Lopes intitulado simplesmente "Belarmino", mas quando li o conto "O Retirante" publicado no livro "Coisas" da editora & etc de Vítor Silva Tavares, descobri o escritor, num conto surrealista, que me ficou para sempre na memória.

baptista-bastos.jpg

Baptista Bastos neste livro dedicado ao cinema. editado pela Arcádia, ofeece-nos um interessante livro sobre o Realismo e o Cinema, com uma escrita que nos oferece um belo retrato do período em que o denominado cinema realista dava cartas no interior da sétima arte. Estamos perante uma obra incontornável na edição de livros de cinema em Portugal, que bem merece ser descoberta.

Rui Luís Lima

Ric Hochet - “Chegou a Tua Hora, Ric Hochet” - André-Paul Duchâteau / Tibet

Rui Luís Lima, 22.11.25

ric hochet.jpg

Ric Hochet
“Chegou a Tua Hora, Ric Hochet” / "Hallali pour Ric Hochet"
Argumento: André-Paul Duchâteau
Arte: Tibet
Álbum: Asa / Público

Mais uma vez Ric Hochet irá defrontar o temível Carrasco que ao deixar a prisão após uma troca de prisioneiros em que foi escolhido se dedica a treinar de forma mortífera, marginais para reiniciar os seus atentados e o destino levou a que Ric Hochet ao pilotar um avião fosse cair no interior do jogo que faz as delícias de Carrasco, mas nem tudo está de acordo com as regras do jogo criado por Carrasco, que se encontra numa cadeira de rodas.

A forma como André-Paul Duchâteau nos narra a história é digna da arte do romance policial, já Tibet confirma mais uma vez a sua Arte!

Rui Luís Lima

Jack Kerouac - "Viajante Solitário"

Rui Luís Lima, 21.11.25

jack kerouac - viajante solitário.jpg

Jack Kerouac
"Viajante Solitário" / “Lonesome Traveler”
Páginas: 244
Minerva

Este é um livro verdadeiramente aliciante para todos os leitores desse escritor “on the road” chamado Jack Kerouac, que aqui reúne diversos contos publicados em revistas e outros inéditos, apresentando o livro uma introdução escrita na primeira pessoa, pelo próprio Kerouac que nos fala um pouco de si e deste “Viajante Solitário” / “Lonesome Traveler”.

Ao longo dos oito contos ou “short-stories”, se preferirem, que constituem este belo livro de Jack Kerouac navegamos com ele através da América, mas também visitamos Paris, Marrocos, Londres e México, atravessamos os oceanos Atlântico e Pacífico e acima de tudo descobrimos a bela e envolvente escrita do maior escritor da Beat Generation!

Mas uma das pérolas deste “Viajante Solitário” / “Lonesome Traveler” é precisamente a introdução do livro escrita pelo próprio Jack Kerouac em que ficamos a conhecer muito melhor o escritor e a forma como olhava o universo que habitava, fazendo-nos um resumo da sua vida, dos seus interesses e as expectativas que rodeavam este livro, revelando-se uma verdadeira jóia literária num simples “quarteto” de páginas. Se nunca leu Jack Kerouac, comece por “Viajante Solitário” / “Lonesome Traveler”, pois ele é o livro indicado para mergulhar no universo da Beat Generation!

Rui Luís Lima

jack kerouac.jpg

«Toda a minha vida li e estudei sozinho. Estabeleci um recorde na Universidade de Columbia, faltando às aulas, para ficar no dormitório a escrever uma peça diária e ler».

Jack Kerouac

in “Viajante Solitário”

Pág. 1/3