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Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

"Sopa de Pedra" - Jan Eliot

Rui Luís Lima, 30.09.25

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"Sopa de Pedra"
Jan Eliot
Páginas: 192
Bizâncio

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Jan Eliot é uma autora de banda desenhada norte-americana que começou a ver a sua banda desenhada "Stonesoup" a ser publicada em jornais com enorme sucesso ao retratar a vida de uma família que vive em duas casas separadas por uma simples cerca, onde nos narra de forma bem divertida o seu quotidiano e ao lermos "Sopa de Pedra" é inevitável vermos por vezes o nsso retrato em diversas situações, sendo este um dos segredos desta autora de banda desenhada, que já cativou milhões de leitores da famosa 9ª arte, tendo inevitável surgido "Stonesoup" editada em livro para agrade de uma legião de fans e inevitávelmente também em Portugal surgiu a edião desta maravilhosa banda desenhada para leitores de todas as idades.

Rui Luís Lima

Roland Barthes - “Écrits sur le théâtre”

Rui Luís Lima, 29.09.25

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Roland Barthes
“Écrits sur le théâtre”
Páginas: 385
Points / Essais / Poche

Roland Barthes não só era um excelente espectador de cinema, que se pode ler nos textos que ele escreveu, como foi um profundo apaixonado pelo Teatro e desde muito cedo (década de 50, século passado) começou a publicar diversos textos na revista “Théâtre Populaire” sobre actores, peças, encenadores, chegando até a escrever diversos editoriais não assinados da publicação em questão, cujos textos foram reunidos neste belo volume em formato de bolso (confesso que é o meu formato preferido de livro, mas que infelizmente é ignorado pela maioria dos editores portugueses) intitulado “Écrits sur le théâtre” por Jean-Loup Rivière, que também nos oferece uma excelente introdução, tendo ainda juntado a este belo livro mais alguns ensaios e artigos de Roland Barthes sobre o tema em questão e onde o teatro de Bertolt Brecht se revela um dos temas preferidos pelo autor, mas onde não se esquece da Grécia antiga onde o Teatro era um espectáculo de massas.

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Mas nem só do nome incontornável de Brecht fala Roland Barthes, nestes seus escritos teatrais, porque aqui todos os aspectos respeitantes à actividade teatral são abordados, sejam os actores como os encenadores, incluindo as condições em que são criadas as peças e a que público se destinam, para se falar também do célebre preço dos bilhetes e se pensa que estes textos, que ocupam uma temporalidade que vai de 1953 a 1975 estão desactualizados, então o leitor está profundamente enganado, porque Roland Barthes é profundamente actual e estas edições da Points/Poche encontram-se a um preço bem convidativo. Se gosta de Teatro vai ter que ler este livro!

Rui Luís Lima

Jean Cocteau - "A Voz Humana"

Rui Luís Lima, 28.09.25

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Jean Cocteau
"A Voz Humana" / "La voix humaine"
Páginas: 48
Assírio & Alvim

“A Voz Humana” será possivelmente a mais célebre peça de Jean Cocteau, um desses monólogos repletos de arte e engenho, que levou actrizes como Ingrid Bergman, Liv Ullman, Simone Signoret, Anna Magnani, entre muitas outras a representarem-na nos palcos; já em Portugal, será a actriz Maria Barroso a encomendar ao escritor Carlos de Oliveira a tradução da peça de Jean Cocteau e que a irá levar ao palco, mas o regime de então rapidamente proibiu a peça de Jean Cocteau.

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Por outro lado, existiu uma geração que descobriu este belo texto quando viu Carmen Maura em “A Lei do Desejo” do cineasta Pedro Almodóvar e para o conhecermos melhor temos este belo livro editado pela Assírio & Alvim, que recupera a tradução feita por Carlos de Oliveira e que nos oferece uma magnifica introdução do poeta Gastão Cruz, que nos situa no tempo esta famosa peça de Jean Cocteau, que foi muito mal recebida pelo grupo surrealista, mas o melhor é lerem “A Voz Humana” de Jean Cocteau e se desejarem verem o monólogo por Ingrid Bergman, existe uma adaptação televisiva que se encontra disponível na net.

Rui Luís Lima

Dilbert & Dogbert - "Como Enganar o Chefe"

Rui Luís Lima, 27.09.25

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Dilbert & Dogbert
"Como Enganar o Chefe"
Autor: Scott Adams
Páginas: 226
Editorial Notícias

As aventuras de "Dilbert & Dogbert" surgiram pela primeira vez a 16 de Abril de 1989 e o seu criador/autor, Scott Adams era economista na "Pacific Bell", portanto sabe do que fala e a sua imaginação prodigiosa oferece-nos um humor corrosivo. Recorde-se que entretanto "Dilbert & Dogbert" deram também origem a uma série de animação bem divertida.

Rui Luís Lima

"100 Anos de Cinema em Portugal" - Vários Autores

Rui Luís Lima, 26.09.25

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"100 Anos de Cinema em Portugal"
18 de Junho de 1896 - 18 de Junho de 1996
Páginas: 36
Cinemateca Portuguesa

Textos de:
João Bénard da Costa - "18 de Junho de 1896: o certo e o incerto"
José Manuel Costa - "Cem Anos de Cinema em Portugal: o estado do património"
Filipe Boavida - "Sobre o restauro de o Destino"

Um interessante pequeno livro sobre a História do Cinema Português, que no dia distante de 18 Junho de 1896 viu Aurélio da Paz dos Reis a inspirar-se nos irmãos Lumière e realizar o filme "Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança", seguindo assim os passos dos irmãos Lumière que não acreditavam no futuro do Animatógrafo, terminando por o tempo os desmentir com a magia que este provocou. O que se seguiu todos sabemos, passo a passo foi nascendo o cinema, com D. W. Griffith que criou a linguagem cinematográfica e Georges Méliès que, por mero acaso, criou os efeitos especiais, terminando ambos a morrerem esquecidos por todos numa época em que o Cinema arrastava multidões. Confesso que lamento como nos dias de hoje os criadores do cinema mudo, se encontram esquecidos e este pequeno livro é uma simples pérola que nos convida a conhecer como nasceu o cinema em Portugal, tendo saído quando se comemorava o seu centenário.

Rui Luís Lima

Os Livros e a Biblioteca!

Rui Luís Lima, 25.09.25

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Os Livros e a Biblioteca!

Em cada casa existe uma biblioteca, por muito poucos que sejam os livros, que por ali habitam e muitas vezes quando retiramos um livro do móvel e olhamos a capa, de imediato essa maravilhosa máquina denominada memória oferece-nos essa viagem ao passado, que muitas vezes nos ajuda a compreender o presente.

A capa do livro, muitas vezes, até parece que nos sorri, nascendo então esse desejo de abrir o livro e começar a ler as palavras que o escritor um dia decidiu oferecer-nos, perpetuando desta forma o seu labor literário, tantas vezes efectuado durante a noite, pela madrugada fora, em busca da escrita perfeita.

“O mar está novamente agitado hoje, com rajadas de vento que despertam os sentidos. Em pleno Inverno, a Primavera começa a sentir-se. Toda a manhã o céu esteve de uma pureza pérola; há grilos nos recantos sombrios; o vento despoja e fustiga os grandes plátanos… “. Assim começa o primeiro volume de “O Quarteto de Alexandria” – “Justine” que Lawrence Durrell decidiu oferecer ao mundo, uma obra que influenciou decididamente a literatura e que nos relata a passagem do tempo, através do olhar/vida de quatro personagens nessa Alexandria que fascinou tantos escritores.

Na nossa biblioteca temos livros que amamos ao correr do tempo, livros que chamamos de cabeceira, porque a sua leitura nos oferece um enorme prazer, como é o caso de Lawrence Durrell, a obra monumental de Marcel Proust, a brilhante escrita de Umberto Eco, sempre com esse olhar bem incisivo sobre a sociedade contemporânea ou o labor literário e a magia de Philippe Sollers e assim criamos esse hábito de abrir um livro e ler um pouco antes de o sono nos convidar ao sonho.

E como é belo adormecer a ler palavras fascinantes como estas, escritas por Proust no seu quarto forrado a cortiça devido aos ataques de asma: “Os lugares que conhecemos só pertencem ao mundo do espaço em que os situamos para maior facilidade. Não eram mais que uma delgada fatia por entre impressões contíguas que formavam a nossa vida de então; a recordação de uma determinada imagem não passa da nostalgia de um determinado momento e as casas, as estradas, as avenidas, são infelizmente fugazes, como os anos.”.

O tempo, esse grande escritor, oferece-nos um olhar que se transfigura à medida que vamos navegando no universo literário e sempre que retiramos um livro da estante, entramos nesse território do sonho, que nos é oferecido pelo escritor e descobrimos esse enorme prazer do texto de que um dia nos falou Roland Barthes.

Nas páginas que constituem o livro descobrimos personagens que nos fascinam e são muitas as vezes, em que ficamos simplesmente maravilhados com a sua existência, por vezes até as reencontramos num écran de cinema, mas quase sempre acabamos por descobrir um herói diferente daquele que habitava o universo do escritor. Os traços da personagem criada pelo escritor estão ausentes da tela e sentimos a fraude perante o nosso olhar. Resta-nos então regressar à leitura do livro e apaziguar os sentimentos, (re)vivendo essa arte da escrita que tanto nos fascina.

Muitas vezes ao entrar em casas de amigos, o meu olhar dirige-se de imediato na direcção da biblioteca, em busca dos títulos dos livros, no intuito de descobrir as águas em que eles se encontram a navegar e não é raro encontrar aquela obra que sempre desejei ler, mas que nunca tive até então oportunidade, muitas vezes porque o livro está esgotado. E de imediato sinto o desejo de o pedir emprestado, porém, sinto-me inibido em fazer o pedido, apesar da amizade que nos une. Desejo então tornar-me um copista da Idade Média fechado numa sala a queimar a vista à luz da vela, enquanto transcrevo as palavras mágicas oferecidas ao mundo pelo escritor, para que elas perdurem para as gerações que estão para nascer para a leitura.

Decido procurar o livro que tanto desejo ler, nas livrarias, mas só encontro as novidades editoriais e quando pergunto pelo seu paradeiro respondem-me que está esgotado ou foi retirado do catálogo e nesse momento sinto a tristeza invadir-me. Mas não desisto da busca e percorro os alfarrabistas, mas a resposta permanece negativa. Encho-me de coragem e peço o livro emprestado e passo um fim-de-semana na sua companhia, roubando horas ao sono, perfeitamente deliciado e ao chegar à última página, sinto-me feliz e tranquilo, apesar de saber que esse livro maravilhoso vai regressar para a biblioteca dos meus amigos. Na semana seguinte trocamos impressões sobre a obra, mas ao sair, sinto um vazio, apesar da minha memória ter ficado mais completa, porque li aquele livro, embora sinta a sua falta na minha biblioteca, até que nasce esse dia em que ele se encontra comigo num outro país, numa daquelas livrarias em que o universo das letras habita o espaço perfeito.

Regresso a casa feliz e de imediato mergulho na sua leitura e quando a termino, ofereço-lhe um lugar na minha biblioteca. Ele ali fica sorrindo, convivendo com os irmãos numa harmonia perfeita, essa harmonia tantas vezes esquecida por este estranho mundo que nos rodeia.

Rui Luís Lima

"Calvin & Hobbes" - Bill Watterson

Rui Luís Lima, 24.09.25

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"Calvin & Hobbes"
Arte: Bill Watterson
Argumento: Bill Watterson
Páginas: 128
Gradiva

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Foi nas páginas do jornal "Público" que muitos descobriram as aventuras de "Calvin & Hobbes" saídas da imaginação e do traço maravilhoso de Bill Watterson e em boa altura a editora Gradiva decidiu publicar os livros, para agrado de miúdos e graúdos.

Rui Luís Lima

"Alain Resnais" - Vários Autores

Rui Luís Lima, 23.09.25

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"Alain Resnais"
Vários Autores
Cadernos de Cinema nº.5
Páginas: 224
Publicações Dom Quixote

Na segunda metade dos anos 60, do século xx, a editora Publicações Dom Quixote teve um papel muito importante na divulgação da cultura no nosso País, com colecções incontornáveis, como "Universidade Moderna", os "Cadernos Dom Quixote" sobre a actualidade internacional, os "Cadernos de Poesia", que foram um espaço plural na divulgação da Arte Poética e os "Cadernos de Cinema", uma colecção dedicada à Sétima Arte, que abordava o Cinema por géneros e cineastas, como sucede com este seu número cinco, dedicado a Alain Resnais, nesse ano de 1969.

Certamente alguns dirão que se trata de um livro datado, sem interesse, mas estão profundamente enganados, porque os textos que se encontram aqui reunidos são assinados por Alan Robbe-Grillet, Guido Aristarco, Jorge Semprun, Marcel Martin e o próprio Alain Resnais, entre outros.

"Alain Resnais" é um desses livros que nos convidam a descobrir a obra deste cineasta francês, que sempre olhou o cinema de uma forma bem pessoal. Nesses anos 60, com todas as condicionantes editoriais e com a censura, tínhamos uma bela colecção dedicada à 7ª. Arte nestes "Cadernos de Cinema"!

Rui Luís Lima

Yukio Mishima - “O Tumulto das Ondas”

Rui Luís Lima, 22.09.25

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Yukio Mishima
“O Tumulto das Ondas” / "Shiosai"
Páginas: 174
Relógio D’Água

Foi através de um texto de António Mega Ferreira (*) publicado no "JL – Jornal de Letras", na época em que ele era chefe de redacção, que descobri o escritor Yukio Mishima, o alvo era a publicação em Portugal de “O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar” e desde então tenho lido tudo o que encontro do autor japonês, depois temos o celebre filme que Paul Schrader realizou, sobre o qual já escrevemos aqui no blog "Manuscritos da Galáxia", e essa obra incontornável que Margueritte Yourcenar escreveu sobre o escritor, sobre o qual já escrevemos aqui, e disponível no nosso país graças à editora Relógio D’Água que também é responsável pela edição deste belo e singular romance intitulado “O Tumulto das Ondas” com ilustrações de Catarina Baleiras.

Estamos perante um belo romance que nos narra a história de amor entre Shinji, um jovem pescador pobre e a bela Hatsue de outra condição social, mas que não será impedimento para que a chama do amor surja de mansinho e os leve a unir esforços para ultrapassar as barreiras que os separam do Paraíso. Como já é habitual nestas pequenas crónicas aqui fica um pequeno trecho deste belíssimo livro de Yukio Mishima.

Rui Luís Lima

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(...) "Agora, já Shinji podia entrar livremente em casa de Miyata Terukichi. Um dia que voltava, apresentou-se à porta da casa com uma camisa de colarinho aberto, de brancura impecável, e com as calças acabadas de passar a ferro; em cada mão trazia uma dourada...

Hatsue esperava-o, já pronta. Os dois jovens haviam prometido ir ao templo de Yashiro e ao farol para anunciar o noivado e transmitir os agradecimentos.

Iluminou-se a entrada de terra batida mergulhada na meia escuridão do crepúsculo. Hatsue surgiu, vestida com aquele quimono de Verão, branco, com grandes campainhas, que comprara ao vendedor ambulante. A brancura do vestido brilhante, mesmo em plena noite.

Shinji ficara à espera, apoiando-se com uma mão à porta da entrada; baixou o olhar para Hatsue quando esta apareceu e, sacudindo uma das pernas calçadas com socos de madeira, como quem espanta os insectos, murmurou:

- Os mosquitos são terríveis!

- São, não são?

Os dois jovens subiram a escadaria de pedra que levava ao templo de Yashiro. Em vez de correrem por ali acima como poderiam ter feito, preferiram subir lentamente os degraus, com os corações banhados de alegria, como para saborearem o prazer de cada degrau." (...)

Yukio Mishima

in "O Tumulto das Ondas"

(*) - O Texto de António Mega Ferreira sobre Yukio Mishima que refiro, poderá ser encontrado no livro "A Borboleta de Nabokov". (Ed. Noticias)

Bernard-Henri Lévy - "Este Vírus Que Nos Enlouquece"

Rui Luís Lima, 21.09.25

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Bernard-Henri Lévy
"Este Vírus Que Nos Enlouquece" / "Ce Virus Qui Rend Fou"
Páginas: 104
Guerra & Paz

A edição em Portugal deste livro do célebre filósofo francês Bernard-Henri Levy, publicado duranta a  pandemia do tristemente célebre "covid", apresentou-se como um contributo muito importante para entendermos este mundo em que vivemos.

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As questões levantadas pelo filósofo Bernard-Henri Levy são colocadas de uma forma tão simples que até pensamos que ele está a conversar tranquilamente num café com um amigo ou simplesmente connosco. "Este Vírus Que nos Enlouquece" de Bernard Henri Levy é um belo contributo para entendermos o que foi a terrível pandemia que nos atingiu a todos, seja qual for a sua condição humana e depois veio a variante Delta e suas sucedâneas, que rápidamente foram esquecidas.

É certo que agora temos as vacinas e as extensas filas para a vacinação em que todos estivemos, devem permanecer na nossa memória, para que este passado recente não caia no esqucimento e que a investigação científica contra estes perigos para a existência humana, receba todos os contributos das organizações internacionais e governos, para que a história não se repita.

Rui Luís Lima

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