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Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Notícias de Marte

Uma viagem pelo universo dos livros e seus autores: literatura, poesia, ensaio, cinema, banda desenhada, arte e teatro.

Julia Kristeva / Philippe Sollers - "Du mariage considéré comme un des beaux-arts"

Rui Luís Lima, 30.07.25

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Julia Kristeva / Philippe Sollers
"Du mariage considéré comme un des beaux-arts"
Páginas 160
Fayard

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Philippe Sollers (1936 - 2023) e Julia Kristeva (1941) revelaram-se como um dos casais mais fascinantes da Literatura, ele francês, ela búlgara (que veio estudar muito nova para Patis) e, muitos anos depois, decidiram lançar o livro “Du mariage considéré comme un des beaux-arts” (edição da Fayard), no qual nos é dado a conhecer quatro conversas entre eles ao longo de um período temporal que vai de 1990 a 2014, onde descobrimos a sua experiência intelectual, tanto como escritores quer como pessoas intervenientes no mundo contemporâneo. Recorde-se que Philippe Sollers foi o fundador da célebre revista “Tel Quel” (1960 – 1082), onde colaboraram as mais importantes figuras do mundo intelectual francês, à qual um ano depois (1983) lhe irá suceder a revista “L’infini”, onde mais uma vez Philippe Sollers surgia como o motor desta magnifica revista trimestral.

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No prefácio deste maravilhoso livro, Philippe Sollers, que infelizmente já nos deixou,  conta-nos que só se pensou em casar uma vez e essa vez chegou por todas e assim este fascinante conversador, grande fumador, que até um dia pegou fogo ao seu local de trabalho, a editora Gallimard, ao deitar um cigarro mal apagado para o caixote, conduz-nos na companhia de Julia Kristeva a conhecer o seu pequeno universo, ao mesmo tempo que a psicanalista e escritora, na sua introdução, nos conta que o simples facto de serem dois seres um pouco diferentes, já que nasceram em territórios bem distintos, ela na Bulgária e ele em França, terminou por conduzi-los a esse território da harmonia, fugindo a esse campo de batalha em que muitas vezes os casais se vêm envolvidos.

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Durante a promoção de “Du mariage considéré comme un des beaux-arts”, Philippe Sollers e Julia Kristeva deram diversas entrevistas a jornais, revistas e canais de televisão, e de todas as entrevistas ou conversas, se preferirem, com este dois escritores de eleição, sugerimos que veja duas emissões francesas, a de “Le Petit Journal” e de "28 Minutes", disponível na net e de certeza irá adorar conhecer um pouco melhor Julia Kristeva e Philippe Sollers. Depois é partir para a leitura dos livros de um dos mais fascinantes casais do universo cultural francês.

PS - São as diferenças de cada um que selam, de forma perfeita, a unidade de dois seres.

Rui Luís Lima

Quadradinhos - Revista de Banda Desenhada! - Suplemento do Jornal "A Capital"

Rui Luís Lima, 29.07.25

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Quadradinhos - Revista de Banda Desenhada!
Suplemento do Jornal "A Capital"
Preço: 1$00 (jornal)
Ano: 1968

A Revista "Quadradinhos" de Banda Desenhada era um suplemento temático dedicado à banda desenhada que era publicado à segunda-feira no jornal "A Capital", em finais da década de sessenta do século passado. Todas as segundas-feiras ela ali estava com o jornal para os mais pequenos cortarem e montarem como revista de quadradinhos e a selecção era de primeira água e havia até quem usasse agrafes na lombada criada, mas tinha que se ter cuidado para não danificar o jornal "Quadradinhos".

Recorde-se que nesses anos o jornal "A Capital" que saía para as bancas ao início da tarde tinha surgido nessa época com um imenso fulgor rivalizando com o "Diário Popular, "Diário de Lisboa" e República" e tinha a caracteristica de todos os dias da semana oferecer um suplemento temático, que oferecia na última página uma banda desenhada com um dos famosos heróis da banda desenhada: Mandrake e Fantasma entre outros.

Curiosamente já encontrei a colecção do suplemento "quadradinhos" à venda num site na net.

Belas memórias! 

Rui Luís Lima

"João Tavares e o primitivo cinema português" - Fernando Duarte

Rui Luís Lima, 28.07.25

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"João Tavares e o primitivo cinema português"
Fernando Duarte
Páginas: 40
Cinemateca Portuguesa

Na época em que a Cinemateca Portuguesa teve como director Luís de Pina, nas sessões das quintas-feiras, às 18h30, eram exibidos clássicos do cinema português, ao mesmo tempo que se iniciava uma colecção de livros dedicada a esses pioneiros da Sétima Arte.

"João Tavares e o primitivo cinema português" é um desses livros, assinado por Fernando Duarte e que se encontra dividido em quatro capítulos:

1 - O pioneirismo em que se integrou João Tavares

2 - O realizador João Tavares

3 - João Tavares e os outros primitivos pioneiros

4 - Filmografia de João Tavares

Desta edição, datada de 1983, foram tirados 300 exemplares.

Rui Luís Lima

“O Raio U” / “Le Rayon U” - Edgar P. Jacobs

Rui Luís Lima, 27.07.25

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“O Raio U” / “Le Rayon U”
Arte / Argumento: Edgar P. Jacobs
Páginas: 48
Álbum: Meribérica/Liber

Recordo-me desses tempos de criança em que devorava a revista Tintin, dos jovens dos 7 aos 77, de Vasco Granja no seu correio com os leitores falar de “O Raio «U»” de Edgar Pierre Jacobs, como uma obra ímpar da banda desenhada franco-belga e assim sucedia, mas foi só em adulto que tive acesso ao álbum de ficção-científica do famoso criador das aventuras de “Blake e Mortimer”.

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“O Raio «U»” foi publicado inicialmente na Revista Bravo, no ano de 1943, ainda a preto e branco, três décadas depois o seu autor, Edgar Pierre Jacobs, nome incontornável da banda desenhada franco-belga, decide fazer uma nova versão a cores, a qual irá ser publicada entre 30 de Abril e 28 de Maio de 1973 na Revista Tintin (belga), surgindo seis meses depois em álbum.

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E se muitos de nós somos fans das aventuras de Flash Gordon, Luc Orient e Valerian, também registamos que este “Raio «U»” de Edgar Pierre Jacobs é uma obra-prima da 9ª.Arte de ficção-científica!

Rui Luís Lima

Revista Visão -  A Banda Desenhada feita por portugueses!

Rui Luís Lima, 26.07.25

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Revista Visão -  A Banda Desenhada feita por portugueses!

Director: Victor Mesquita

Foram publicados 12 números.

A revista Visão foi um caso único na divulgação da banda desenhada feita por portugueses  e surgiu nas bancas a  1 de Abril de 1975, o seu preço era de 20$00 (vinte escudos) e embora fosse um pouco elevado para o habitual preço das revistas de banda desenhada, depois de termos a "Visão" nas mãos ficávamos fascinados pela qualidade da impressão, tanto a cores como a preto e branco,  com um grafismo único e de enorme qualidade e depois tinhamos as dimensões da revista que eram de 230 mm x 320 mm.

O grande animador da revista Visão de banda desenhada foi Victor Mesquita seu director, que nos ofereceu as aventuras de "Eternus 9" a visitar a ficção-científica, entre outras histórias de que foi autor. As aventuras repletas de humor de "Gemadinha - O Herói Pedras Baixas" de José Maria André e Victor Mesquita era repleta de humor. Embora tenham saído apenas 12 números,  a revista "Visão" bem merece ser aqui recordada como uma das mais importantes publicações dedicadas à 9ª Arte que existiram em Portugal.

Inicialmenta a periodicidade da revista "Visão" era quinzenal, mas foi só durante três meses, tendo havido uma suspensão e regressou a 10 de Outubro de 1975 com 52 páginas e ao preço de 40$00, mantendo a mesma qualidade dos números anteriores. Nomes  como Carlos Barradas, Isabel Lobinho, José Maria André, Machado da Graça, Zepe, entre outros colaboradores ofereceram aos amantes da 9ª Arte uma revista de banda desenhada inesquecível.

Rui Luís Lima

John Le Carré - "O Ilustre Colegial" / "The Honourable Schollboy"

Rui Luís Lima, 25.07.25

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John Le Carré
"O Ilustre Colegial" / "The Honourable Schollboy"
Páginas: 655
Dom Quixote

Mr. David John Moore Cornwell, mais conhecido no universo literário por John Le Carré, ex-membro dos Serviços Secretos Britânicos, quando escreveu o seu primeiro romance ainda pertencia ao MI6 e por aqueles corredores bem cinzentos por onde ele se movimentava muito boa gente andava em sobressalto devido a terem um romancista entre eles que, apesar de possuir uma imaginação fértil, conhecia de facto a triste realidade dos Serviços Secretos Ocidentais, mas também os do outro lado do muro.

Durante décadas os Serviços Secretos de Sua Majestade Britânica Isabel II foram um dos territórios mais férteis de fuga de informação dita classificada, ao mesmo tempo que se transformava no mais perfeito e brilhante covil de toupeiras, durante o período da denominada Guerra Fria, de que há memória.

Este tema tão delicado será o eleito por John Le Carré ao fazer nascer essa personagem “cinzenta” chamado George Smiley, um homem “vulgar”, dono de uma inteligência e uma perspicácia únicas, que irá ter do outro lado do muro ou se preferirem do outro lado da cortina de ferro um opositor soviético de nome Karla, que se irá tornar no seu maior pesadelo.

“O Ilustre Colegial” é o segundo volume deste duelo entre Smiley e Karla, onde iremos percorrer os mais diversos cenários, desde o Sudoeste Asiático, tendo Hong-Kong como pano de fundo, passando inevitavelmente por Londres, onde Smiley reorganiza os Serviços do Circus, anteriormente” danificados” por Karla, até chegar aos Balcans onde se encontra esse Ilustre Colegial, um agente adormecido à espera de missão, que irá tentar impedir que o KGB continue a realizar com sucesso as suas acções numa nova zona do globo, considerada estratégica para os Serviços Ocidentais.

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John Le Carré, ao longo dos capítulos de “O Ilustre Colegial”, vai-nos apresentar personagens já conhecidas do leitor, desenrolando-se a acção em diversos cenários, que nos são oferecidos em capítulos distintos, ao mesmo tempo que descobrimos o retrato bem mordaz com que John Le Carré caracteriza o jornalismo praticado nesses tempos da Guerra Fria, em que não há almoços grátis e os inocentes são uma raça em via de extinção

A escrita de John Le Carré, tendo em conta o tema que retrata e que tão bem conheceu, surge minuciosa e detalhada em todos os pormenores da acção, obrigando o leitor a absorver cuidadosamente todos os detalhes referidos ao longo do livro para compreender a trama que se está a desenrolar, onde a intoxicação de informação usando os jornalistas como correia de transmissão é um dado mais do que adquirido.

John Le Carré, ao longo do seu percurso literário, revelou-se um dos mais admiráveis escritores de romances policiais, sempre no cerne do acontecimento político e tantas vezes incómodo para as autoridades, que olhavam sempre com desconfiança o aparecimento de um novo livro do escritor no universo literário.

Podemos até imaginar os frequentadores desses corredores cinzentos onde se movimentam os serviços secretos, com as suas inevitáveis casas seguras e os seus escritórios camuflados de firmas de advogados a murmurarem uns com ou outros; “mas que será que ele descobriu agora, para nos atormentar?”

John Le Carré faleceu a 12 de Dezembro de 2020, mas os seus livros permanecem bem vivos e são o retrato deste mundo contemporâneo em que vivemos.

Rui Luís Lima

"Charles Chaplin - O «Self-Made-Myth»" - José-Augusto França

Rui Luís Lima, 24.07.25

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"Charles Chaplin - O «Self-Made-Myth»"
José-Augusto França
Páginas: 171
Livros Horizonte

Charles Chaplin sempre me fascinou desde os meus tempos de criança, quando via na televisão o programa "Museu do Cinema" e depois em adulto a magia permaneceu, mas se queremos mesmo conhecer Chaplin, para além dos seus filmes, nada melhor do que ler este soberbo livro assinado por José-Augusto França, uma obra de referência sobre a Arte do genial criador de Charlot.

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José-Augusto França já nos deixou, mas os seus livros permanecem na excelente companhia dos seus leitores, que nunca se irão esquecer deste homem da cultura, que tinha uma forma bem simples e cativante de nos oferecer o seu belo universo!

Rui Luís Lima

Jorge Silva Melo - "Século Passado"

Rui Luís Lima, 23.07.25

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Jorge Silva Melo
"Século Passado"
Páginas: 560
Livros Cotovia

“Século Passado” é um livro da autoria de Jorge Silva Melo (1948 - 2022), que reúne diversos textos escritos pelo autor em publicações periódicas, ao longo dos anos, assim como diversos textos cinematográficos publicados em diversos catálogos de cinema. Mas “Século Passado” é muito mais do que uma compilação de textos porque, através deles, temos o retrato de uma geração brilhante, ao mesmo tempo que nos é oferecida uma imagem muito bela de uma época em que a cultura respirava por todos os poros, sendo um verdadeiro prazer a sua leitura, porque a literatura vive por aqui.

Nunca é demais realçar o trabalho de Jorge Silva Melo e Luís Miguel Cintra ao longo dos anos no Teatro da Cornucópia, onde foi possível viajar ao longo da História do Teatro, desde a Antiguidade até aos autores contemporâneos. Depois temos sempre a visão de crítico de cinema que Jorge Silva Melo, nos deixou ao longo dos textos que escreveu sobre a Sétima Arte, recordo-me desse fabuloso catálogo editado pela Fundação Gulbenkian, aquando do ciclo de cinema Actor/Actor, que deixa maravilhado quem o descobre, seja cinéfilo ou não.

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E se há peças de Teatro que nos ficam na memória para sempre, uma delas é precisamente “Casimiro e Carolina”, de Odon Von Horváth, onde o Teatro visita o Cinema pela porta grande da Sétima Arte, uma peça cuja encenação permanece bem viva nas minhas memórias, temos automóveis a movimentarem-se e um Zeppelin a voar, numa encenação memorável. Já no que respeita à obra cinematográfica de Jorge Silva Melo será sempre de recordar esse “António, Um Rapaz de Lisboa”, um filme magnífico que deixou perfeitamente espantados e maravilhados todos os espectadores que o viram, respirava cinema por todos os fotogramas.

“Século Passado” não é só o testemunho de uma geração, através da escrita inconfundível de Jorge Silva Melo, onde descobrimos esse enorme universo cultural do seu autor, mas também é um daqueles livros que nos faz o retrato dessa época, em que sonhar era uma aventura maravilhosa. Jorge Silva Melo partiu a 14 de Março de 2022, tinha 73 anos.

Rui Luís Lima

Lester Cockney - “A Ruptura” / "Oregon Trail" - Franz

Rui Luís Lima, 22.07.25

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Lester Cockney
“A Ruptura” / “La Déchirure”
"Oregon Trail" / "Oregon Trail"
Arte: Franz
Argumento: Franz
Páginas: 96
Álbum: Asa / Público

Esta edição do jornal “Público” e da editora Asa das aventuras de Lester Cockney na colecção "Clássicos da Revista Tintin" é sempre de saudar e vem colmatar uma lacuna na edição de álbuns de banda desenhada deste herói criado por Franz.

Franz Drappier criador do destemido e aventureiro Lester Cockney iniciou as aventuras deste herói da banda desenhada franco-belga em 4 de Julho de 1980 nas páginas da revista Tintin, onde iremos acompanhar este irlandês no Afeganistão em pleno período colonial britânico, passando pela Índia, até chegar À Europa e até descobrir o continente americano, num conjunto de aventuras onde irá encontrar a companhia de uma sensual Condessa húngara e de uma bela jovem indiana chamada Taranna.

Infelizmente este autor belga de banda desenhada, que assinava os seus trabalhos como Franz, deixou-nos em 8 de Janeiro de 2003.

Rui Luís Lima

Lawrence Durrell - "O Quarteto de Alexandria"

Rui Luís Lima, 21.07.25

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Lawrence Durrell
"O Quarteto de Alexandria"
Páginas: 936
D. Quixote

A genial e incontornável obra de Lawrence Durrell, “O Quarteto de Alexandria” está editada em português em três modalidades: um conjunto de 4 volumes, em livro de bolso também em quatro volumes e apenas num só livro, como sucede com esta edção da D. Quixote..

“O Quarteto de Alexandria” de Lawrence Durrell tem sido lido sempre com um enorme prazer desde que o descobri, porque Durrell trabalha o espaço e o tempo de forma sublime e a leitura desta magnífica obra tem várias hipóteses, como nos diz o seu autor: seguir a ordem de “Justine”, “Baltazar”, “Moutolive” e “Clea”, ou optarmos por outra ordem qualquer, mas iniciando sempre em "Justine".

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Tenho que confessar que já li de todas as "maneiras", descobrindo sempre um enorme prazer literário, porque na verdade estamos perante um desses monumentos incontornáveis das letras do século XX, que bem merece não ficar esquecido neste novo milénio em que a memória se perde a uma velocidade contemporânea ouu seja é imediato e rapidamente esquecida.

"O Quarteto de Alexandria" de Lawrence Durrell (1912 - 1990) é uma obra incontornável no universo literário!

Rui Luís Lima

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